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Clássico paradigmático

Rui Patrício

Hoje assistiu-se a mais um exemplo paradigmático do que têm sido os clássicos não só em Alvalade mas principalmente no seguimento da ponte do Freixo. Um jogo com demasiado protagonismo dos seus árbitros, com critérios desiguais na marcação de faltas e atribuição de cartões, expulsões evitadas para um lado e criadas para o outro. Inclusivamente quer Jesualdo Ferreira quer Oceano Cruz foram expulsos, o que levanta problemas para a orientação técnica da equipa durante os respectivos castigos.

Fora destes aspectos, destacaram-se principalmente os jovens leões que, pela sua entrega e capacidade de sofrimento, mereciam mais os três pontos que os profissionais do aproveitamento de benefícios que se lhes opuseram. Com mais frieza e espírito de entreajuda na manobra ofensiva teria sido possível vencer a outra equipa que, apesar de ter conseguido dominar no que toca à posse de bola, pouco conseguiu fazer. Ainda assim, acho desadequado exigir ao presente plantel que, nas presentes condições de motivação e competitividade, apresente índices de aproveitamento e desempenho mais elevados. Tendo sido um passo importante resistir a um dos líderes pontuais do campeonato (ainda que em casa), a gestão da equipa e das expectativas dos adeptos tem que ser focada na subida de um degrau de cada vez. Até porque, como hoje ficou bem demonstrado, temos demasiados problemas exteriores para enfrentar sem que haja uma pacificação e reorganização interna.

Recta final de leão

A época aproxima-se do seu fim. Entretanto e para a Liga a equipa de futebol obteve uma vitória contra o Nacional da Madeira fora, com uma equipa de poupança, e outra vitória contra a Académica de Coimbra em casa, com a melhor equipa disponível mas mentalmente quebrada pelo afastamento na Liga Europa.

A eliminação na Liga Europa ficou marcada por alguma imaturidade. Imaturidade completamente compreensível e justificada, dada a inexperiência do colectivo e alguma falta de capacidade emocional para gerir e disputar jogos decisivos. Na primeira mão, um jogo de contornos épicos poderia ter tido um resultado mais tranquilo. Na segunda mão, um jogo tenso e com muita pressão tanto directa, no relvado, como indirecta, na bancada, ditou o afastamento da equipa. Pouca sorte e alguma dureza nos relvados, respeito mútuo nas bancadas e em redor dos estádios, e acabou o sonho europeu deste ano, na mesma altura em que tanto o futsal e o andebol perderam as suas meias finais.

Da época futebolística de 2011/2012 restam dois grandes objectivos: obter o terceiro lugar na Liga, sendo para isso necessário anular pelo menos três pontos em relação ao Braga com vantagem no confronto directo. Vencer a Taça de Portugal, dia 20 de Maio no Estádio Nacional.

Para o primeiro objectivo falta vencer a dois dos três primeiros classificados, para além das ameaças de desistência da União de Leiria da Liga que põem em risco a acessibilidade do terceiro lugar. Para o segundo objectivo, espera-se uma casa composta (faltam vender 728 bilhetes pelo Sporting e a FPF já não tem bilhetes para vender, apesar da AFL não ter disponibilizado os seus bilhetes para venda ao público).

Tanto um objectivo como o outro estão ao alcance do tabuleiro de sombras e fumos que o futebol português é. Cá estaremos para ver como acaba a época; para já, amanhã joga-se a Norte da ponte do Freixo um proclamado jogo de consagração dos virtuais vencedores da Liga. Que seja um banho de futebol, sem casos, e que os ponha no seu lugar.

Mil águas de Abril

Desde o meu último artigo muito se tem passado no mundo do Sporting, em particular no seu futebol. Foram onze dias que podem servir de base para a reflexão que urge fazer sobre o Sporting como instituição e para o Sporting dos próximos anos. Gostava de me poder concentrar apenas nos aspectos desportivos – principalmente dada a importância do jogo de amanhã – mas há assuntos que têm de ser abordados.

Dia 9 aconteceu um grande jogo no José Alvalade contra o velho rival da cidade, que, com cabeça mais fria, poderia ter acabado com um resultado mais volumoso. Ainda assim, regista-se a superioridade leonina nos dois jogos com o rival, apesar de os dois resultados serem enganadores e enganadoramente equilibrados entre si.

Depois deste jogo, que foi o primeiro de uma sequência de cinco que fará defrontar a equipa leonina com os três primeiros classificados, Nacional da Madeira e Académica de Coimbra, surge um caso. Este novelo mediatico-policial tem vindo a crescer de escala, instabilizando a estrutura directiva do Clube cuja equipa tinha acabado de dificultar bastante as contas do título nacional a um dos primeiros classificados. Será decerto apenas uma coincidência que os dirigentes dos restantes adversários internos desta época partilhem órbitas.

O que inicialmente parecia uma denúncia anónima de corrupção transmitida via Sporting à FPF e PJ transformou-se rapidamente e graças a uma eficaz – ainda que ilegal e não-ética – ligação entre as instâncias policiais e mediáticas num tão português julgamento em praça pública de Paulo Pereira Cristóvão, com base em alegados factos alegadamente transmitidos por orgãos de alegada comunicação social alegadamente competentes.

Os factos conhecidos são muito poucos: apenas que Cristóvão terá sido pronunciado como arguido num processo de denúncia difamatória e que Rogério Alves será o seu representante neste processo. Pelo menos para já, a Polícia Judiciária não indicia corrupção, nem coacção, nem conspiração. Denúncia difamatória. O que não quer dizer que seja defensável – simplesmente aparenta que não haverá indícios que apontem para crimes de outra monta.

Numa reacção inicial (prontamente aceite por Godinho Lopes) que tem tanto de respeitável como de estatutoriamente impossível, Cristóvão suspende funções alegando os “superiores interesses do Sporting”, indicando que seguiria o processo em que é constituído como arguido sem envolver o Sporting Clube de Portugal.

Passado alguns dias, faz saber que quer regressar a funções, organizando-se para o efeito uma reunião do Conselho Directivo. Não obstante alegadas crispações, tensões internas e ameaças de demissão, Cristóvão é readmitido pela mão de Lopes que, prontamente, transmite por vídeo o seu apoio ao mesmo tempo que anuncia a abertura de um inquérito interno, aproveitando ainda para fazer passar o lema de inevitabilidade da fusão da SPM na SAD, tal como feito anteriormente por outras direcções em relação a outras operações ditas contabilísticas. Ontem, Cristóvão reassumiu funções defendendo que tem «muita obra para fazer até Agosto», sem referência aos anteriormente essenciais superiores interesses do Sporting.

Fazendo fé na generalidade das informações disseminadas na imprensa, Paulo Pereira Cristóvão representará algo que o Sporting há muito não tem – alguém que procure defender o Clube no submundo que define o futebol nacional, ainda que com métodos pouco ortodoxos, mesmo nesse contexto. Apesar de neste momento o processo se limitar ao crime de denúncia difamatória, criou-se a ideia de que Cristóvão terá simulado o crime para incriminar Cardinal, com base numa suposta rede de espionagem não só sobre as estruturas da arbitragem mas também sobre agentes desportivos de qualquer quadrante, incluindo os do Sporting.

Verificando-se a veracidade destas informações, o que significaria tal evolução? Pelo que a blogosfera leonina mostra, os sportinguistas dividem-se entre aqueles que aceitam que alguém suje as mãos e por inerência o Clube para o defender, um pouco à imagem do que alguns fazem há 30 anos ininterruptos, e os que preferem manter a sua visão limpa, fundeada em princípios de ética e de verdade no desporto, mesmo se isso representar uma secundarização mediática e eventualmente competitiva. Uma coisa é certa: a superioridade moral de nos identificarmos como diferentes está posta em causa, mesmo que seja só alegada e mediaticamente.

À margem destas considerações, o resultado final da reunião Conselho Directivo e as suas consequências mediáticas parecem indicar algo de muito significativo – Cristóvão será neste momento a personagem principal da direcção do Clube, ao demonstrar ter poder de alavancagem suficiente para poder abandonar e reivindicar o seu papel sem que ninguém se oponha. Por outro lado, o Conselho Directivo encontrar-se-á fracturado entre os que defenderam o regresso de Cristóvão, os que se lhe oposeram, e os que assinam de cruz qualquer decisão, desde que possam manter a sua representatividade institucional.

Esta fractura, apesar da imagem de união que Lopes quer fazer passar e suscitar nos demais sócios e adeptos, vai sendo minada por fora com alegados auxílios de dentro. Tal conturbação interior atesta a fragilidade da direcção, fazendo supor que não deverá sobreviver a complicações profundas do caso Cristóvão ou qualquer outro revés na sua estratégia, onde provavelmente se inclui o chumbo da fusão da SPM na Sporting SAD, a decidir durante a próxima semana. Mesmo no caso da fusão ser aprovada podem  ser convocadas eleições antecipadas, tal como Godinho Lopes já tinha indiciado; esperam-se portanto uma primavera e verão quentes.

Entretanto é anunciado um blackout pela Sporting SAD: Não deveria ser blackout do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal? Se a ideia é limitar danos mediáticos deste caso, não faria mais sentido manter a actividade comunicacional associada ao futebol, com conferências de imprensa e entrevistas de jogadores, desde que responsavelmente aconselhados a não responder a perguntas de âmbito não desportivo, do que dar espaço aos orgãos de alegada comunicação social para irem alimentando a sua teia especulativa? Como serve um blackout mediático do futebol para motivar os sportinguistas para as batalhas do próximo mês, se abre espaço mediático para as agendas especulativas próprias dos ditos orgãos?

Até ao fim do mês o Sporting Clube de Portugal como um todo e várias das suas modalidades passam por momentos decisivos para esta época e para as próximas. Há que saber apoiar as equipas que envergam o leão ao peito, mas também é essencial ler e interpretar todas as movimentações e sinais e tomar uma parte activa da definição do que será o futuro do Sporting Clube de Portugal.

O Sporting Clube de Portugal vive de sucesso desportivo, e amanhã frente ao Athletic Bilbao será um excelente dia para demonstrar a importância que o apoio incondicional à equipa tem na demanda pela glória. Espera-nos um oponente forte, particularmente na posse de bola atacante, na capacidade de sofrimento e na atitude. Que a nossa abnegação,  concentração e raça, suportados por uma casa cheia de apoiantes,  sirva para os vencer!

Momentos decisivos

Num jogo de nervos e trabalho de equipa, os leões ultrapassam mais uma eliminatória na Liga Europa. Não foi particularmente bem jogado, mas ainda assim ficam algumas notas positivas da partida. A coragem de iniciar a partida com André Martins, que enquanto durou fisicamente foi uma das peças mais preponderantes da equipa do Sporting. O pragmatismo de fechar a zona defensiva quando começaram a faltar pernas e discernimento para mais. A inquestionável excelência que Rui Patrício continua a demonstrar de leão ao peito (até quando?).

Assim, o Sporting Clube de Portugal continua a fazer por cumprir o seu mais primordial desígnio: ser tão grande quanto os maiores da Europa. Futsal, Andebol, Futebol. Todas qualificadas para as meias-finais das competições europeias que disputam na presente época. De resto, alguns bons resultados a nível nacional como a obtenção da Taça de Portugal em Andebol e Ténis de Mesa e diversos títulos nacionais em Natação.

Foi anunciado há dias um protocolo com a Câmara Municipal de Odivelas para a criação de um pólo desportivo multi-disciplinar naquele concelho, por um período de 20 anos, incluindo (algumas?) das modalidades que esperam vir a beneficiar da construção do pavilhão desportivo nos terrenos do antigo Estádio José Alvalade. Tratar-se-ia de um passo importante em direcção a algo que falta há demasiado ao Sporting – um espaço mais comum, uma casa mais plural – ainda que algo longe do seu coração geográfico. No entanto, este comunicado veio a ser criticado pela Junta de Freguesia por aparente clubite. Veremos no que dá este imbróglio “político” e quais as suas consequências para a preparação das próximas épocas das modalidades do Sporting.

O anúncio deste protocolo surgiu numa entrevista dada por Godinho Lopes à RTP. Esta entrevista foi marcada profundamente pela incapacidade da jornalista responsável em abordar assuntos relevantes e de uma perspectiva profunda e não preconceituosa. É grotesco que um profissional de comunicação social escolha interromper uma descrição dos resultados obtidos pela maior potência desportiva nacional nesta época desportiva (incluindo a potencial quebra do recorde do Clube de atletas presentes nuns Jogos Olímpicos – de 18 para 24) para dizer algo tão oportunamente bacoco como “o senhor engenheiro sabe tão bem como eu que é no futebol que se centram não só as maiores atenções como os maiores investimentos”. Mas o objectivo do jornalista é investigar e informar ou é fomentar e moldar tendências de mercado? O objectivo do jornalismo desportivo é acompanhar e enaltecer o sucesso desportivo ou é, por exemplo, manter turbas satisfeitas com uma eliminatória perdida com duas derrotas?

Por outro lado, nessa entrevista perdeu-se uma bela oportunidade para informar e motivar os subscritores do empréstimo obrigacionistasócios do Clube e accionistas da SAD para as decisões que foram chamados a tomar sobre o projecto de fusão referido anteriormente, respectivamente a dia e 23, 24 e 27 do presente mês. Preocupa-me que uma decisão tão relevante para o futuro do Clube e da SAD esteja a ser tão pouco publicitada e potenciada. Saberão os Sportinguistas o que se planeia fazer, quais as suas vantagens e desvantagens? Pior – quererão os Sportinguistas saber?

Quanto ao futuro do futebol no curto prazo, espera-nos um derby no José Alvalade na próxima segunda-feira, dez dias antes da primeira mão das meias finais também no José Alvalade contra o Athletic Bilbao. Dois jogos muito importantes – um principalmente por auto-estima e afirmação nacional numa época francamente fraca, outro por todas as suas dimensões – para os quais importará ultrapassar as limitações físicas e de capacidade construtiva que se têm feito sentir sobre os jogadores e equipa.

Tudo depende da capacidade de Ricardo Sá Pinto e dos seus homens aplicarem a fundo o ethos do clube. Esforço, Dedicação e Devoção. Nada como os momentos vividos ontem de madrugada no Aeroporto da Portela e o apoio apaixonado do Estádio José Alvalade cheio de leões para os fazer sentir que tudo é possível.

Entre o céu de Matias e o inferno de Paixão

Na última quinta-feira o Sporting conseguiu ultrapassar o Manchester City no seu próprio estádio, depois de sessenta minutos de grande entrega e qualidade seguidos de quarenta de demasiado sofrimento e a suficiente sorte. Enquanto durou, Matías conseguiu o que muito poucos terão conseguido esta época: inspirar a sua equipa para vencer no City of Manchester Stadium. Quando rebentou, a equipa ressentiu-se e as alterações feitas por Sá Pinto – embora ajustadas e bem temporizadas – não foram suficientes para ancorar um resultado que poderia ter sido histórico.

Entretanto, acabou há momentos mais um jogo para consumo interno marcado pelo de sempre: algum desacerto e falta de ambição na maior parte do encontro do lado dos jogadores do Sporting, um árbitro com tendências mais que confirmadas de protagonista principal, e um adversário motivado e muito pressionante a jogar no erro. Mais uma derrota averbada nesta época, perigando o quarto lugar – que tinha sido revisto em baixa como objectivo mínimo para o campeonato nacional.

Notaram-se alguns problemas de preparação física, articulação entre sectores, e finalização e construção de jogadas perigosas. De fora, parece que a capacidade de motivar os jogadores (quase os mesmos que eliminaram uma das mais fortes equipas europeias na respectiva casa) para disputar e vencer um jogo de campeonato contra o agora 12º classificado não consegue ultrapassar as suas próprias limitações físicas e o enviesamento tradicional dos relvados deste país.

Já sabemos que, para vencer, temos de ser muito mais capazes que os outros. Falta conseguir transmitir essa informação – eliminar o Manchester City até parece fácil quando comparado com a podridão e incompetência que grasam no futebol português.

Simplificação de um falhanço

Este jogo foi uma ode à arte de manietar os desportivamente inseguros. Em condições normais, com arbitragens normais, contra uma equipa normal interessada normalmente em jogar à bola, teríamos disputado o jogo com mais alguma capacidade. Poderia acrescentar uns comentadores normais, preocupados com o espectáculo, mas nem vale a pena nem tem efectivamente influência no que se passa no relvado – apenas no que os largos milhares de Sportinguistas retêm do jogo. Neste cenário idílico (porquê?) poderíamos não ter ganho, mas se não ganhássemos seria apenas por não termos conseguido ser superiores aos outros. Desportivamente.

Assim não. Basta malhar com força, apontar as bandeiras para os lados certos e poupar nos cartões que a insegurança e a falta de capacidade mental de pôr a bola dentro da baliza fazem o resto.
Eles já sabem o que fazer para nos manter num estado de tumulto constante, de falhanço previsível. E nem com o nosso crónico inconformado com a braçadeira de treinador temos conseguido furar o esquema.

Nem eles estavam à espera que fosse tão fácil.

Concentração e pragmatismo

O resultado do jogo inaugural da jornada ditou um distanciamento de 14 e 11 pontos aos dois primeiros classificados. Não foi o melhor resultado para as contas do Sporting, mas terá de servir. Para mais informações sobre esse jogo, vide este excelente, se bem que extenso, testemunho de outro leão.

Outros resultados do jogo não deixam de ter a sua relevância: as reacções fortíssimas de vários elementos do anterior primeiro classificado contra a arbitragem não podem não ter consequências. Basta lembrar que, apenas um dia antes, os árbitros propagandearam o seu acto de insubordinação numa clara tomada de posição contra o Sporting, pedindo que a FPF “actue contra aqueles que reiteradamente põem em causa a honorabilidade e integridade dos árbitros portugueses”. Mais claro e docemente autofágico que isto não seria possível.

Cabe aos dirigentes do Sporting serem inteligentes e não comprarem explicitamente parte numa batalha que não é a deles. Os chefes manipuladores disputam a sua importância “negocial” e se as reacções do lado do Sporting forem demasiado audíveis seremos facilmente colados a um dos lados do feudo. É importante haver uma indicação da diferença de tratamento, mas é mais importante ainda contribuir para que o futebol do Sporting cresça. Por muito satisfatório que fosse pedinchar por igualdade de tratamento (que como é previsível não será verificada), será tão mais importante concentrar esforços e diligências no sentido de melhorar na nossa real causa, os nossos próprios desempenhos e resultados tanto desportivos como económicos.

O presente distanciamento pode e deve ser encurtado para 11 e 8 pontos com a vitória desejada no Estádio do Bonfim, contra a equipa treinada pelo grande inventor do conceito de automobilismo de pesados no futebol. É nisso que nos temos que concentrar.

Há que encontrar formas de motivar e re-aproximar os Sportinguistas, de aumentar capacidade mediática e negocial do Sporting, de criar valor através dos desportos praticados no Sporting. As assistências têm que ser melhoradas, mesmo em tempos de crise económica e de resultados. Com casas cheias, mesmo que a custo na bilheteira, virão melhores resultados de patrocínios e vendas merchandising. Use-se como exemplo jogo contra o Beira-Mar, dedicado à família -quanto valerá aquela injecção de Sportinguismo em tantas crianças e famílias? Só assim será possível aumentar receitas de exploração de uma forma que não comprometa as naturais expectativas de médio e longo prazo de valorização de activos.

As modalidades também têm o seu papel na potenciação de veículos de fervor Sportinguista, nas literais palavras do Capitão João Benedito (hoje, no Pavilhão da Paz e Amizade em Loures, às 16h). Relembro também o derby de Andebol, amanhã às 17h no Pavilhão da Caixa Geral no Alto-dos-Moinhos, com transmissão na RTP2.

Devem ser criados e fortalecidos os canais de Sportinguismo, oficiais e oficiosos, sendo disso um esperançoso exemplo o trabalho que tem sido desenvolvido no canal oficial do Sporting Clube de Portugal no YouTube. Compreende-se que não estejamos em condições de avançar com um projecto televisivo de grande escala, até porque provavelmente seria só mais uma miríade de actos de gestão discutíveis que teriam como principal móbil o enriquecimento alheio à custa do fervor leonino. Mas o valor de peças como a da recente viagem à Polónia é inestimável e deve ser potenciado.

Os dirigentes do Sporting têm que se capacitar que não podem contar com o apoio dos meios de comunicação social para fortalecer o mundo leonino, e que têm pouco a ganhar em entrar declaradamente numa batalha suja pelo poder nos bastidores, gabinetes e túneis. Fortaleçam o clube de dentro para fora e defendam-no de agressões. Não se percam em afrontas ou lutas por poder num sistema que está em clara convulsão.

Ganhar para mudar

O futebol português tem sido influenciado por uma tendência de transformação em espectáculo cénico e maniqueísta a custo da sua componente desportiva, honesta e honrada. Poder-se-á até dizer que sempre assim foi, que faz parte da sua natureza e génese, até como expressão cultural das sociedades portuguesas de que tem feito e faz parte.

Este processo não resulta da central importância que o desporto tem na sociedade e no modo de vida português, nem da transfiguração da natureza de um desporto cuja prática é fortemente mediatizada. Trata-se tão simplesmente de uma canibalização literal. O futebol é visto e instrumentalizado apenas como uma via de promoção, de ascenção social e de obtenção de pequenos (e grandes) poderes. Lentamente, o mérito desportivo e a importância do desempenho e da competência foram substituídas por manipulações discretas e grosseiras, clubites, serventilismo e especulação.

Não há espaço para falsos moralismos – o futebol não é o desporto nacional. É o teatro de marionetas nacional. O país que se diz focado no futebol prefere resumos de 30 segundos sem espaço para transmitir seja o que for para além do resultado final. Prefere campeonatos e taças falseados. Prefere mercados de contratações e expectativas perigosamente inflacionados. Prefere campanhas de influenciação à arbitragem e da arbitragem. Prefere primeiras páginas e manchetes orelhudas e mal-cheirosas. Prefere meios de comunicação social que programem e condicionem. Prefere polémicas e contra-polémicas.

O Sporting e os Sportinguistas têm que reflectir seriamente sobre o papel que querem desempenhar neste sistema. Se dele querem fazer parte, ou se preferem funcionar fora e contra o sistema. Para tal, embora só alegoricamente, muito contribuem os resultados desportivos obtidos limpa e desportivamente. Porque numa altura em que o sistema nos empurra para fora, para baixo, temos que encontrar em nós próprios forças para acreditar que o futebol que queremos não é isto.

Que é possível transformar o futebol português como fenómeno cultural e desportivo em algo mais limpo, inclusiva e principalmente dentro da nossa própria estrutura e organização.

Nos próximos dez dias temos três magistrais oportunidades para assim contribuirmos mais um pouco para a regeneração leonina. Disputamos três encontros contra três das equipas mais sujas do futebol português, dois deles em casa. Todos os verdadeiros leões têm de se unir apesar do ruído mediático, político e sistémico e demonstrar que o que nos interessa como leões é o desporto – é a vitória limpa.

Unidos, não precisaremos de filtros coloridos que nos impeçam de ver a realidade tal como é, não precisaremos de campos inclinados nem de equipas alheias sob a alçada directiva. Basta-nos jogar melhor e marcar mais do que eles, jogo após jogo.

A realidade acima da virtualidade

Amanhã joga-se no Estádio José Alvalade o último oitavo de final da Taça de Portugal, opondo o visitante Belenenses ao Sporting Clube de Portugal. Joga-se a continuação na prova e o apuramento para o quarto de final contra o Marítimo, em casa da equipa vencedora do jogo de amanhã. Joga-se a oportunidade de abrir caminho na segunda competição futebolística mais importante do país.

Joga-se, acima de tudo, a maior dignidade do Sporting Clube de Portugal dentro do circuito dos clubes de futebol médios e grandes portugueses. Amanhã e, se tudo correr bem, nos restantes jogos da taça até à final, joga-se a oportunidade de fazer prevalecer a capacidade desportiva, a qualidade de jogo e de jogadores (e já agora, de adeptos) sobre a especulação, os jogos de influências e pressões, e as campanhas de  branqueamento mediático. Essas têm sido as grandes armas de hegemonização do sistema clubístico vigente, fora do relvado e muitas vezes apesar de menores capacidades técnicas e desportivas.

Com uma vitória amanhã, o Sporting conseguirá reforça mais um pouco o seu papel de “simples” clube desportivo – vencendo apenas através do seu desempenho dentro do campo de jogo, demonstra a sua superioridade moral como instituição e desportiva como equipa de futebol, provando que consegue e que perdurará a vencer.

Fecho do fim-de-semana

Mais um fim-de-semana que termina e vários foram os sucessos do clube nas mais variadas modalidades e escalões. Vitórias no Hóquei em Patins, Andebol, Futsal, e mais um campeão nacional de Judo com as nossas cores coloriram de glória leonina estes dias, resultado de esforço, dedicação e devoção em várias disciplinas e campos. Mais uma vez, os nossos atletas provam com os seus desempenhos a importância que representa para o clube a construção de um pavilhão que permita centralizar junto do Estádio de Alvalade, se bem que infelizmente não sob o mesmo tecto, a actividade desportiva Sportinguista.

A direcção do Clube tem que se convencer do potencial de reforço e incentivo ao espírito e valores Sportinguistas que uma tal proximidade geográfica representa, inclusivamente em termos de receitas – basta reconhecer que não existem Lojas Verdes nos nossos entrepostos alugados. Os nossos putativos patrocinadores e apoiantes para a construção de uma infra-estrutura tão fulcral têm que ser persuadidos da representatividade e relevância deste investimento não só para o clube mas para o desporto nacional.

Relativamente às movimentações directivas relativamente às listas candidatas às eleições da FPF, por mais que reflicta não consigo compreender o que se passa. Qual a estratégia, se é que existe. A realidade da situação pode muito bem ser uma orquestração estratégica dissimulada de apoio a várias listas tendo em conta os interesses superiores do Sporting. Mas também pode ser um aproveitamento pessoal e individualista da parte de Luís Duque do poder mediático que tem para sustentar a criação de uma lista alternativa à hegemonicamente construída com Fernando Gomes, só sabendo o próprio com que propósitos. Aguardam-se os próximos episódios.

À parte de todos estes eventos está o jogo de amanhã contra o Gil Vicente, em Alvalade. Espera-se o onze possível tendo em conta as limitações clínicas, espera-se uma casa composta e participativa apesar das condições meteorológicas, e espera-se mais um bom jogo culminando em mais uma vitória deste belo grupo de leões que se afirma e reforça de jogo para jogo. Lá estarei!