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Espiral viciosa

Castro "Nobre" Guedes e Godinho Lopes

Analisemos o percurso de Godinho Lopes e esqueçamos por um instante:

  • A forma como correram as eleições, tanto a campanha como o acto em si e a própria gestão do processo pós-eleitoral;
  • As promessas por cumprir, onde se inclui o seu rarefeito – e eleito – projecto;
  • A adequação ou falta de adequação desse mesmo projecto à situação real do país, dos sócios e simpatizantes sportinguistas, e do próprio clube e empresas dependentes;
  • As opções e filosofias de investimento, estruturação do clube, direcção técnica, comunicação e gestão de expectativas;
  • Os resultados desportivos alcançados, onde se inclui a pior média de vitórias em futebol da história do clube, a pior média de derrotas em futebol da história do clube e o continuar do lento definhar competitivo na maior parte das modalidades do clube com algumas valorosas excepções como o futsal, o ténis de mesa ou o hoquéi em patins;
  • O surgimento de algumas polémicas e menos claras situações de alegados actos de pressão sobre núcleos, sócios e simpatizantes, incluindo o arregimento de claques para que a contestação não suba a níveis incómodos;
  • Os resultados financeiros alcançados, sublinhados pelo relatório do primeiro trimestre da presente temporada da SAD onde, apesar com um aumento de passivo na ordem dos 13,4M€, os resultados líquidos ficaram por -7,7M€ (uma leitura mais cuidada permite até descortinar um abatimento de 7M€ dívida de longo prazo – com juro de 4,99% – através da contracção de dívida em curto prazo no mesmo valor, por livrança – com juro de 7,40% – por certo uma manobra contabilística cheia de vantagens fora da compreensão do sócio ou accionista comum);
  • Que a sustentação financeira da sua gestão, embora facilitada pelo peso que o próprio e os resistentes dirigentes – com Ricciardi e Castro “Nobre” Guedes à cabeça – tenham ainda junto dos credores, seja obtida em nome da instituição mas alegadamente através de garantias pessoais (o que, em cenário de incumprimento, resulta em dívida do clube aos próprios dirigentes, como já visto no caso do passe de Daniel Carriço, o que parece ser uma manobra tirada do manual de Vale e Azevedo);
  • A incapacidade de captação de investimento exterior ao sistema bancário, apesar das sucessivas viagens de charme e publicitação;
  • A aparentemente negligente preparação do processo de inconvertibilidade das VMOC, estabelecida para dia 20 de Janeiro de 2013, quer através do já aprovado projecto de fusão SAD-SPM, quer através de outro tipo de medida que permita salvaguardar o interesse do Clube.

 

Godinho Lopes não demonstra ter capacidade de liderança para, mesmo que não inverter, pelo menos controlar a queda desportiva e financeira do Sporting Clube de Portugal. Apesar de mostrar razoável resistência à pressão e a pele grossa necessárias ao desempenho da função, Godinho Lopes é um homem sem rumo definido. As suas sucessivas ideias para o futebol, a modalidade agregadora e financeiramente potenciadora do universo Sporting, vão se substituindo sem estratégia aparente, à medida que as abordagens antecessoras falham, sem que Godinho Lopes pareça acreditar em nenhuma delas o suficiente para as defender.

Numa espiral viciosa, Godinho Lopes persiste, não reconhecendo que com cada nova redefinição estratégica destrói o pouco capital de esperança que ainda vai granjeando junto dos sócios e adeptos, corrói a disponibilidade e unidade dos plantéis e equipas técnicas, e afunda o Clube e a SAD numa estratégia financeira sem futuro.

Godinho Lopes não demonstra ter o que é necessário para liderar no mundo do desporto, principalmente na situação sensível em que o Clube e a SAD se encontram e tendo em conta as condicionantes muito especiais que o Sporting tem que vencer para conseguir singrar quer desportivamente quer mediaticamente.

Para vencer, o Sporting tem que ser liderado para estar unido, tem que ser competente, e tem que ser capaz de motivar os sportinguistas. Cada vez menos, Godinho Lopes parece capaz de o conseguir.

Não o reconhecendo, Godinho Lopes deixa apenas uma solução para os cada vez mais sócios que o reconhecem: a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária com o objectivo de destituir os órgãos sociais. Os sócios que se revejam nesta solução podem – devem – participar no movimento Dar um Rumo ao Sporting.

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Uma crença, uma fé.

Nos tempos mais difíceis desde a sua fundação, o Sporting Clube de Portugal tem conseguido prevalecer graças a exemplos e liderança de homens singulares. José Alvalade, João Rocha, Moniz Pereira, Francisco Stromp. Com um universo tão plural composto por inúmeros sócios e adeptos, só exemplos de carisma, dedicação e espírito leonino como estes conseguem promover união a níveis mais profundos. Só com os pés firmemente fincados nestas raízes de abnegação, sacrifício e vontade conseguiremos ultrapassar as tensões internas que nos limitam e sarar as feridas que persistem em nos infectar.

No dia do seu aniversário foi anunciado que o novo Pavilhão desportivo, a construir no Complexo Alvalade XXI, terá o nome estatutário de João Rocha. Uma homenagem que, embora ainda dependa da aprovação em Assembleia Geral e só existirá quando as diversas modalidades Sportinguistas de pavilhão lhe possam de facto chamar de casa, é justa e adequada a alguém que tanto fez pelo Sporting Clube de Portugal e pelo seu ecletismo.

Moniz Pereira participou ontem na cerimónia de despedida dos atletas sportinguistas que participarão nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, após algumas gerações de participações. Apesar das baixas de relevo – Francis Obikwelu, Naide Gomes e Rui Silva – participarão ainda dezanove atletas na prova maior do desporto mundial, que se espera que honrem os países que representam e o clube que os apoia.

Por estes dias, as equipas de futebol sénior começam as suas épocas desportivas. Embora ainda haja muito por definir – por exemplo, a equipa B ainda não tem definido o campo de jogos – há pequenos passos que deveriam ser tomados para intensificar a relação entre o clube e os seus apoiantes.

Tenho lido por aí uma excelente ideia que simultaneamente contribui para a homenagem e respeito à herança centenária leonina e para a consolidação do potencial e identidade mediática da equipa secundária: tornar o equipamento Stromp no equipamento principal da equipa B. Tal traria vantagens para os adeptos (que finalmente vêm o histórico equipamento ganhar alguma da relevância que merece), para o clube (por aprofundar a sua relação com a sua história), para os jogadores da equipa B (aproveitando a oportunidade para transmitir o peso de uma camisola centenária), e para os patrocinadores (que poderiam ver os seus investimentos melhor compensados).

Por outro lado, aumentar a cobertura mediática interna às diversas sessões de trabalho dos vários plantéis, com iniciativas como esta, representaria um investimento significativo para aproximar o clube daqueles que por ele sofrem e torcem. O Sporting tem que reforçar os seus laços consigo próprio para conseguir avançar.

Onze-doze

Nos últimos quarenta e nove dias a época desportiva do futebol do Sporting acabou com uma encenação, um bom jogo e um desperdício. Friamente, foi um final adequado para uma época agridoce. Demasiados casos, demasiadas polémicas, demasiada influência da arbitragem nos resultados.

Um campeonato irregular, com alguns bons resultados mas também com mais más exibições do que excelentes. Uma boa campanha europeia e outra boa campanha na Taça de Portugal, ambas estragadas por falta de capacidade emocional de lidar com pressão e falta de ambição e pragmatismo nos momentos decisivos. Se bem que se aceitem estas falhas numa equipa tão pouco rotinada quanto esta, ficou a ideia que uma maior capacidade de motivação e galvanização da equipa poderia ter permitido a obtenção de pelo menos um título nesta época.

A secção de futsal joga amanhã o título de campeão desta época, podendo alcançar o tricampeonato após quatro jogos geralmente bem disputados mas em que tem faltado alguma capacidade de concretização. É incrível que mesmo num espaço tão pequeno e com um jogo tão rápido se consiga fazer do anti-jogo e do cinismo uma via para o sucesso. Pondo de parte a visão clubística, não seria justo que a equipa que fez mais para vencer no conjunto dos quatro jogos até agora realizados viesse a perder o título para um conjunto e estilo de jogo cínico e provocatório, ainda que melhor financiado.

Nas restantes modalidades acabou a época em andebol com uma Taça de Portugal vencida, a mudança da equipa técnica e um plantel desejavelmente mais maduro. O ténis de mesa teve uma época notável, com a vitória do campeonato nacional e da taça, para além das conquistas nos escalões de formação. No atletismo, Naide Gomes e Obikewlu, figuras centrais na missão portuguesa e sportinguista aos Jogos Olímpicos de 2012, sofreram duras lesões na disputa dos campeonatos nacionais, pelo que estarão provavelmente arredados da competição.

Enquanto procura o sucesso desportivo que é a sua matriz identitária, o universo Sporting Clube de Portugal tenta sair das areias movediças financeiras em que se encontra alavancando-se com forte investimento imediato, fazendo depender dos resultados no curto prazo e da entrada rápida de dinheiro fresco a sustentabilidade do seu modelo de gestão.

O sucesso desta estratégia dependerá profundamente da preparação da próxima época. A abordagem ao defeso e à gestão dos planteis – onde se inclui a equipa B – determinará o sucesso dos próximos anos, tanto económica como desportivamente, e portanto, institucionalmente. Assinale-se no entanto que, e planeio desenvolver mais aprofundadamente esta reflexão noutra oportunidade, o sucesso desta estratégia também dependerá do enquadramento interno político e estratégico dentro do Sporting e junto dos sportinguistas.

Momentos decisivos

Num jogo de nervos e trabalho de equipa, os leões ultrapassam mais uma eliminatória na Liga Europa. Não foi particularmente bem jogado, mas ainda assim ficam algumas notas positivas da partida. A coragem de iniciar a partida com André Martins, que enquanto durou fisicamente foi uma das peças mais preponderantes da equipa do Sporting. O pragmatismo de fechar a zona defensiva quando começaram a faltar pernas e discernimento para mais. A inquestionável excelência que Rui Patrício continua a demonstrar de leão ao peito (até quando?).

Assim, o Sporting Clube de Portugal continua a fazer por cumprir o seu mais primordial desígnio: ser tão grande quanto os maiores da Europa. Futsal, Andebol, Futebol. Todas qualificadas para as meias-finais das competições europeias que disputam na presente época. De resto, alguns bons resultados a nível nacional como a obtenção da Taça de Portugal em Andebol e Ténis de Mesa e diversos títulos nacionais em Natação.

Foi anunciado há dias um protocolo com a Câmara Municipal de Odivelas para a criação de um pólo desportivo multi-disciplinar naquele concelho, por um período de 20 anos, incluindo (algumas?) das modalidades que esperam vir a beneficiar da construção do pavilhão desportivo nos terrenos do antigo Estádio José Alvalade. Tratar-se-ia de um passo importante em direcção a algo que falta há demasiado ao Sporting – um espaço mais comum, uma casa mais plural – ainda que algo longe do seu coração geográfico. No entanto, este comunicado veio a ser criticado pela Junta de Freguesia por aparente clubite. Veremos no que dá este imbróglio “político” e quais as suas consequências para a preparação das próximas épocas das modalidades do Sporting.

O anúncio deste protocolo surgiu numa entrevista dada por Godinho Lopes à RTP. Esta entrevista foi marcada profundamente pela incapacidade da jornalista responsável em abordar assuntos relevantes e de uma perspectiva profunda e não preconceituosa. É grotesco que um profissional de comunicação social escolha interromper uma descrição dos resultados obtidos pela maior potência desportiva nacional nesta época desportiva (incluindo a potencial quebra do recorde do Clube de atletas presentes nuns Jogos Olímpicos – de 18 para 24) para dizer algo tão oportunamente bacoco como “o senhor engenheiro sabe tão bem como eu que é no futebol que se centram não só as maiores atenções como os maiores investimentos”. Mas o objectivo do jornalista é investigar e informar ou é fomentar e moldar tendências de mercado? O objectivo do jornalismo desportivo é acompanhar e enaltecer o sucesso desportivo ou é, por exemplo, manter turbas satisfeitas com uma eliminatória perdida com duas derrotas?

Por outro lado, nessa entrevista perdeu-se uma bela oportunidade para informar e motivar os subscritores do empréstimo obrigacionistasócios do Clube e accionistas da SAD para as decisões que foram chamados a tomar sobre o projecto de fusão referido anteriormente, respectivamente a dia e 23, 24 e 27 do presente mês. Preocupa-me que uma decisão tão relevante para o futuro do Clube e da SAD esteja a ser tão pouco publicitada e potenciada. Saberão os Sportinguistas o que se planeia fazer, quais as suas vantagens e desvantagens? Pior – quererão os Sportinguistas saber?

Quanto ao futuro do futebol no curto prazo, espera-nos um derby no José Alvalade na próxima segunda-feira, dez dias antes da primeira mão das meias finais também no José Alvalade contra o Athletic Bilbao. Dois jogos muito importantes – um principalmente por auto-estima e afirmação nacional numa época francamente fraca, outro por todas as suas dimensões – para os quais importará ultrapassar as limitações físicas e de capacidade construtiva que se têm feito sentir sobre os jogadores e equipa.

Tudo depende da capacidade de Ricardo Sá Pinto e dos seus homens aplicarem a fundo o ethos do clube. Esforço, Dedicação e Devoção. Nada como os momentos vividos ontem de madrugada no Aeroporto da Portela e o apoio apaixonado do Estádio José Alvalade cheio de leões para os fazer sentir que tudo é possível.

Semana meio cheia

Há momentos e jogos que deviam ser iconificados e usados para demonstrar a real profundidade de ser Sporting. Quinta-feira aconteceu um desses momentos, desde o apito inicial até ao envio de um email de agradecimento por parte dos capitães pelo apoio demonstrado. É com estes exemplos que o Sporting se deve regenerar, a si próprio e à relação que escolhe manter com os Sportinguistas. Porque, tal como diz Leão de Alvalade, o Sporting fez-se grande pelos que acreditaram sempre.

Não com outro tipo de casos, como por exemplo a ginástica de bilhética que foi sendo feita ao longo da semana – o acompanhante de sócio ora pagava o preço de sócio, ora tinha o bilhete de borla. Mas, como diz o título, há que ver e valorizar os aspectos positivos para que os negativos sejam tendencialmente eliminados.

No jogo todos se superaram – até Ricky, que apesar de não ter marcado foi essencial na primeira linha de pressão sob o portador da bola – mas para mim aquele que brilhou como exemplo mais forte da reconversão foi Daniel Carriço. Raça, entrega, dedicação, num exemplo de superação tão Sportinguista quanto merecida. Seguido de perto por Izmailov, cuja evolução demonstra uma capacidade técnica e de sofrimento ímpares. Matias merecia ter feito aquele golo de longe e Carrillo também, pela demonstração técnica que deu a Nasri já nos momentos finais.

Que a estrutura directiva e equipa técnica tenham a capacidade de fazer perdurar este espírito e esta vontade de triunfar tanto no jogo de amanhã, frente ao Vitória de Guimarães, como na quinta-feira, em Manchester para o fecho dos oitavos-de-final, como para todas as restantes finais que ainda nos esperam esta época.

No Futsal, o Sporting foi eliminado da Taça de Portugal em mais uma demonstração do que o desporto nacional escolhe como base de sobrevivência: subserviência à pressão e aquisição arrogante de desempenho desportivo a qualquer preço contra a abnegação, a entrega e o valor adquirido pelo esforço. O campeonato continua hoje, às 18h30 no pavilhão Paz e Amizade, contra o Loures.

Começa hoje a fase final do campeonato Andebol 1, com o Sporting a partir a 4 pontos da liderança. Sem espaço para errar para o objectivo do título, a equipa precisa de todo o apoio possível no jogo de hoje, às 16h00 contra o Águas Santas no pavilhão do Casal Vistoso, e em todos os jogos que ainda faltam.

Ao longo da semana foram várias as notícias lançadas na temática do património, tanto futebolístico como para as restantes modalidades. As notas mais importantes são: a reconversão do relvado irá ser feita gradualmente, com a introdução de uma variedade de relva mais adequada para o clima local; o fecho do fosso será feito inicialmente nos topos, com espaços publicitários, e depois sob as centrais com um plano de bancada que dependerá da adesão dos sócios – e, digo eu, da visibilidade que retirará às filas que lhe serão anteriores. Nas modalidades, prepara-se o regresso do basquetebol e do râguebi; antecipa-se a re-estruturação do projecto do pavilhão sujeito ao Plano de Pormenor por aprovar na Assembleia Municial para uma abordagem mais integradora de várias modalidades, tendo sido contactados responsáveis de várias modalidades para colaborarem nesse processo. Esta questão do pavilhão parece-me bastante sensível; resta saber se não se tratará de mais um caso de desistir do passáro que quase canta na mão, para perseguir os outros dois que seguem em voo…

Concentração e pragmatismo

O resultado do jogo inaugural da jornada ditou um distanciamento de 14 e 11 pontos aos dois primeiros classificados. Não foi o melhor resultado para as contas do Sporting, mas terá de servir. Para mais informações sobre esse jogo, vide este excelente, se bem que extenso, testemunho de outro leão.

Outros resultados do jogo não deixam de ter a sua relevância: as reacções fortíssimas de vários elementos do anterior primeiro classificado contra a arbitragem não podem não ter consequências. Basta lembrar que, apenas um dia antes, os árbitros propagandearam o seu acto de insubordinação numa clara tomada de posição contra o Sporting, pedindo que a FPF “actue contra aqueles que reiteradamente põem em causa a honorabilidade e integridade dos árbitros portugueses”. Mais claro e docemente autofágico que isto não seria possível.

Cabe aos dirigentes do Sporting serem inteligentes e não comprarem explicitamente parte numa batalha que não é a deles. Os chefes manipuladores disputam a sua importância “negocial” e se as reacções do lado do Sporting forem demasiado audíveis seremos facilmente colados a um dos lados do feudo. É importante haver uma indicação da diferença de tratamento, mas é mais importante ainda contribuir para que o futebol do Sporting cresça. Por muito satisfatório que fosse pedinchar por igualdade de tratamento (que como é previsível não será verificada), será tão mais importante concentrar esforços e diligências no sentido de melhorar na nossa real causa, os nossos próprios desempenhos e resultados tanto desportivos como económicos.

O presente distanciamento pode e deve ser encurtado para 11 e 8 pontos com a vitória desejada no Estádio do Bonfim, contra a equipa treinada pelo grande inventor do conceito de automobilismo de pesados no futebol. É nisso que nos temos que concentrar.

Há que encontrar formas de motivar e re-aproximar os Sportinguistas, de aumentar capacidade mediática e negocial do Sporting, de criar valor através dos desportos praticados no Sporting. As assistências têm que ser melhoradas, mesmo em tempos de crise económica e de resultados. Com casas cheias, mesmo que a custo na bilheteira, virão melhores resultados de patrocínios e vendas merchandising. Use-se como exemplo jogo contra o Beira-Mar, dedicado à família -quanto valerá aquela injecção de Sportinguismo em tantas crianças e famílias? Só assim será possível aumentar receitas de exploração de uma forma que não comprometa as naturais expectativas de médio e longo prazo de valorização de activos.

As modalidades também têm o seu papel na potenciação de veículos de fervor Sportinguista, nas literais palavras do Capitão João Benedito (hoje, no Pavilhão da Paz e Amizade em Loures, às 16h). Relembro também o derby de Andebol, amanhã às 17h no Pavilhão da Caixa Geral no Alto-dos-Moinhos, com transmissão na RTP2.

Devem ser criados e fortalecidos os canais de Sportinguismo, oficiais e oficiosos, sendo disso um esperançoso exemplo o trabalho que tem sido desenvolvido no canal oficial do Sporting Clube de Portugal no YouTube. Compreende-se que não estejamos em condições de avançar com um projecto televisivo de grande escala, até porque provavelmente seria só mais uma miríade de actos de gestão discutíveis que teriam como principal móbil o enriquecimento alheio à custa do fervor leonino. Mas o valor de peças como a da recente viagem à Polónia é inestimável e deve ser potenciado.

Os dirigentes do Sporting têm que se capacitar que não podem contar com o apoio dos meios de comunicação social para fortalecer o mundo leonino, e que têm pouco a ganhar em entrar declaradamente numa batalha suja pelo poder nos bastidores, gabinetes e túneis. Fortaleçam o clube de dentro para fora e defendam-no de agressões. Não se percam em afrontas ou lutas por poder num sistema que está em clara convulsão.

Salada russa

No futebol jogado, é ainda cedo para encontrar grandes mudanças a serem levadas a cabo por Ricardo Sá Pinto e a sua equipa técnica. Ainda assim já se notam alguns ajustes principalmente na movimentação e organização com posse e na prioritização das acções com e sem bola. Que seja o despontar de uma equipa que efectivamente jogue com qualidade Sporting, olhos nos olhos em qualquer relvado.

É também de assinalar o efeito que a chicotada psicológica teve sobre os jogadores de formação – principalmente Carriço, André Santos e Pereirinha – que aproveitaram o regresso de um dos símbolos do futebol leonino das últimas décadas para ganhar espaço no plantel e na equipa. Ainda que tenha resultado de alguns condicionamentos clínicos e físicos, não será coincidência que estes três jogadores tenham sido os suplentes utilizados em ambos os jogos após a entrada em funções da nova equipa técnica.

Quanto à constituição da equipa técnica, parece ter sido a possível dadas as restrições de quem paga mais duas equipas técnicas. Às pessoas de confiança de Sá Pinto, juntou-se o observador da anterior equipa técnica e um académico do treino e preparação táctica com algumas ligações ao meio comunicacional do outro lado da estrada, Jorge Castelo. Esperemos que esta equipa técnica seja capaz de revitalizar o plantel e a equipa do Sporting e de nos levar aos sucessos que desejamos, independentemente de preferências clubísticas.

 

Amanhã joga-se no José Alvalade com o Légia a passagem aos oitavos-de-final da Liga Europa, a jogar contra o Manchester City. Espera-se um jogo tenso, com uma forte presença de apoiantes polacos. Que o estatuto de risco elevado do jogo não tenha razão de ser e acima de tudo que o auditório sportinguista saiba apoiar a sua equipa acima de todas as incidências do jogo. Compreende-se exigência mas não se compreende desestabilização de um grupo com tanto potencial.

 

Ainda em relação à transição de equipas técnicas, não posso deixar de referir os novos desenvolvimentos do caso contactos-de-Domingo-Paciência-com-Diocese-das-Antas:

  • A Agência Lusa defendeu a sua posição apesar do erro técnico grave do seu jornalista e ameaça divulgar o nome da fonte.
  • Luís Duque agradece a iniciativa e reforça que seria bom para todos os envolvidos que o nome fosse divulgado.
  • Nos programas de paineleiros todos sabem ou aparentam saber o que se passa (excepto aqueles em representação do Sporting), sem que nada se tenha precipitado.
  • Surgem algumas indicações que terá sido Luís Lemos, colaborador Cunha Vaz & Associados e curiosamente também ligado ao meio comunicacional do outro lado da estrada, provável spin-doctor de mão de Godinho Lopes, a criar o imbróglio.

A minha leitura destes desenvolvimentos é que a pseudo-notícia terá sido criada e disseminada com o intuito de proteger Godinho Lopes de uma decisão de gestão na qual não estaria totalmente confiante. O seu consultor consegue ainda, com esta manobra, criar um foco de tensão entre dois clubes dos quais, por coincidência, nenhum é o seu. Aquele que julgo ser o autor técnico e moral da decisão, Luís Duque, vem defender-se de naturais suspeitas, tentando provocar a identificação do responsável da manobra e retirar-lhe espaço de manobra e influência junto de Godinho Lopes. Ter-se-á tratado portanto de mais uma luta por influência sobre a cadeira da presidência do Sporting.

 

Quanto à hipótese do investimento externo na Sporting SAD, presumivelmente tendo em vista a aquisição de posição maioritária já adiantada por Godinho Lopes em entrevista ao Expresso, refiro este artigo de Pedro Faleiro da Silva e deixo para já as seguintes questões:

  • De que forma pode a entrada de um investidor contribuir para resolver os problemas de tesouraria da Sporting SAD?
  • Será aceitável vender a identidade do Sporting através do seu futebol, em troca de um passivo menor?
  • O que garante ao Sporting Clube de Portugal que, no caso de existir de facto um mecenas benemérito e iluminado que queira pagar a conta da gestão do Sporting das últimas décadas, não se crie um problema semelhante ou até mais profundo com a sua entrada na SAD?
  • Quais as consequências para o ecléctico clube Sporting Clube de Portugal de se ver amputado identitariamente da sua modalidade mais representativa e que mais receitas gera?

Chega o solistício

O Inverno atinge na próxima madrugada o seu momento astronomicamente mais pronunciado.

Para o futebol do Sporting, este início de Inverno tem sido algo tortuoso, sem no entanto comprometer quaisquer objectivos. Depois de jogos algo desinspirados contra o Nacional e a Académica para a Liga e contra a Lazio para a Liga Europa, a equipa tem amanhã o seu último jogo do ano. Antes do início dos jogos para a Taça da Liga e da continuação do troço mais complicado do calendário da Liga, joga-se amanhã com o Marítimo, em casa, o acesso às meias-finais da Taça de Portugal, a segunda competição mais importante do futebol nacional.

Com o jogo de amanhã definir-se-á a abordagem ao mercado e à restante época. Com uma vitória reforçamos o momento anímico do plantel e dos adeptos, ficando com caminho aberto para a final da Taça (uma vez que as meias-finais se disputam em duas mãos, o que privilegia as equipas mais fortes) e bastante mais próximos da conquista de um título nesta época-zero do novo projecto desportivo e institucional do Clube.

Logo no arranque do próximo ano teremos um jogo algo decisivo para a luta pelo título de Campeão Nacional que, juntamente com o jogo de amanhã, ajudará a definir quais as ambições ao alcance desta equipa que, apesar de recém-nascida, tem conseguido motivar e reacender as esperanças leoninas mais profundas, apesar de todas as limitações impostas ao plantel e ao futebol leonino.

Se tudo correr bem, espera-se um plantel rejuvenescido para a segunda parte da época. Tanto pelas recuperações (de preferência definitivas) dos nossos atletas tecnicamente mais dotados como por uma ou outra aquisição tendo em vista o reequilíbrio da equipa, em particular no centro da defesa. Desse ponto de vista, a equipa tem sido magistralmente dirigida e protegida na comunicação social pelos seus representantes. As declarações de Luís Duque, Eduardo Barroso, Pedro Sousa e Domingos Paciência têm contribuído, cada uma à sua maneira, para encaminhar a gestão desportiva e de comunicação do Clube para novos caminhos. Caminhos de respeito, por si próprio e exigindo-o aos outros, de responsabilidade e de sensatez no mercado e na gestão do plantel. Uma óptima evolução em relação aos anos anteriores, em particular tendo em conta o processo eleitoral que iniciou este ciclo.

No futsal, os desempenhos e as características da calendarização e competições em que estamos envolvidos têm permitido um momento tranquilo, esperando-se que o plantel consiga ser recuperado na medida do possível com alguns complementos adquiridos no mercado de Inverno, para as etapas mais decisivas da época.

Por outro lado, no andebol, os resultados têm sido fortemente afectados por faltas de consistência defensiva e acutilância ofensiva (e, como sempre, influência “arbitrária”) que o plantel não justifica nem merece. Para além de tudo isto, as assistências verificadas no pavilhão de Casal Vistoso estão longe do desejável para uma modalidade com o historial e importância do andebol do Sporting Clube de Portugal. Que um ano novo traga mais sucesso também nesta modalidade!

Inverno rigoroso

O Sporting segue na Taça de Portugal, perfilando-se para os quartos-de-final em que vai defrontar o Marítimo, no José Alvalade no próximo dia 21, três dias depois de defrontar a Académica em Coimbra e sete dias depois de defrontar a Lazio em Roma, para a Liga Europa. Na Liga Portuguesa esperam-nos dois meses complicados, em que se seguirão o Nacional (já amanhã com uma casa que se espera lotada), a referida ida a Coimbra, a recepção ao clube da diocese das Antas, as visitas a Braga e Olhão e finalmente a recepção ao Beira-Mar.

A convocatória para o jogo de amanhã foi preenchida com a totalidade dos jogadores disponíveis para jogo, o que demonstra a pouca profundidade do plantel neste momento. Não obstante, trata-se de um momento fulcral para a manutenção das aspirações que a equipa leonina tem feito por merecer. Mesmo que manifestamente afectada por lesões, a equipa do Sporting não tem porque temer o conjunto madeirense desde que consiga fazer um jogo inteligente, com boa gestão de posse de bola e acutilância ofensiva, contribuindo para tal a presença e apoio de quase 50 000 leões de verde e branco.

No contexto global da época é particularmente importante chegar a Janeiro com um registo o mais vitorioso possível, em que só o jogo em Roma tem apenas o prestígio em jogo. Não só porque a reabertura do mercado de transacções poderá permitir equilibrar tecnicamente o plantel e protegê-lo da influência das indisponibilidades ocasionais; também pela recuperação de maior parte dos atletas presentemente lesionados, em que apenas para Rinaudo se prevê um período de recuperação que chegue ao mês de Fevereiro.

Após o derradeiro jogo da fase de grupos da Liga Europa, o Sporting irá enfrentar aquela que será a fase eliminatória mais exigente da história da competição europeia, com início a 18 de Fevereiro. Graças ao seu desempenho no grupo, o Sporting conseguirá em princípio evitar um sorteio muito desfavorável, mas não se livrará de uma oposição, qualquer que ela seja, motivada pela acrescida mediatização e importância que a prova terá este ano.

Especulações mobiliárias (das quais a ascenção meteórica de Pedro Mendes parece ser um exemplo) e mediáticas (aqui existem demasiados exemplos de um jogo de poder que se continua a fazer sentir nos meios de comunicação) à parte, esperam-se dois meses de navegação particularmente delicada para o Sporting.

Uma nota ainda para o Derby de Futsal de amanhã no pavilhão do Alto-dos-Moinhos, às 17h00, com transmissão em directo na RTP2. Não se antecipa um jogo fácil.. no entanto espero que a arrogância e sobranceria encarnada seja, tal como tem sido nos últimos confrontos, subjugada pela garra e querer leoninos.

Um ponto e eliminatória passada

Um empate no Andebol, conseguido em cima da hora depois de muito esforço, com possibilidade de virar o jogo a nosso favor a dois segundos do fim com um livre directo defendido por um ex-leão. O campeonato está perfeitamente ao alcance, mas é essencial que não se ofereçam mais pontos. Mais consistência defensiva e acutilância atacante serão o suficiente para termos uma equipa mais competente do que temos apresentado e que possa obter de uma vez por todas o título que nos escapa há algumas épocas.

Uma vitória no Futebol, num jogo bem disputado dentro das limitações “arbitrais” possíveis. Algumas falhas de organização defensiva, mas com os dois golos obtidos à leão, nos primeiros 25 minutos, a permitir gerir o restante encontro com alguma cabeça fria. Se não fosse a arbitragem consistentemente interruptória e inconsistente, teria sido um belo espectáculo de futebol, com mais golos e menos tentativas de desestabilização disciplinares. Mas enfim, contingências do futebol português. Assinalo também a gritante diferença entre a maior parte dos resumos e a percepção dos muitos milhares de pessoas que realmente viram o jogo, no estádio ou pela televisão.

É cada vez mais essencial ter espírito crítico para ser sportinguista acima do que nos querem fazer pensar e sentir.