Monthly Archives: Abril 2013

Expiação

Daniel Sampaio

Sai na edição de hoje do Diário de Notícias uma entrevista a Daniel Sampaio, ex-Vice Presidente da MAG do Sporting Clube de Portugal, que está disponível na internet em versão impresa ou transcrita.

Apesar das maiores chamadas e títulos da entrevista serem acerca das actividades de Paulo Pereira Cristóvão, julgo que as restantes secções, tanto referentes ao funcionamento do órgãos sociais anteriores, como ao processo pré-eleitoral deste ano.

Destaco:

[Reunições com o CD; Godinho Lopes] Falava de milhões sobre coisas que percebíamos que não tinham uma sedimentação rigorosa. Nunca vi membros do CD emitirem uma posição significativa sobre o Sporting. Ele falava sozinho, passava o tempo e a reunião acabava.

[Reestruturações] Não havia reestruturação, havia projectos. A 25 de janeiro fomos recebidos no BCP pelo seu presidente, Nuno Amado, que nos disse que não havia reestruturação nenhuma. E mais, garantiu-nos que o BCP só colaborava com a reestruturação com tudo escrito, quer com o atual presidente, quer com o futuro se houvesse eleições. […]Nesse dia percebemos que o principal credor do Sporting, que é o BCP e não o BES, acabava de nos dizer que não havia reestruturação nenhuma. Era uma mistificação do CD, que numa reunião em dezembro nos chegou a dizer que a reestruturação iria ser feita até final de dezembro.

[Convocação da AG] Na conferência de imprensa sobre o funcionamento da AG foi atingido com ovos. […] Estávamos no auditório e tínhamos solicitado aos serviços que identificassem os sócios. Essa identificação não foi feita. Depois começaram os insultos e os palavrões e sete ou oito indivíduos levantaram-se e atiraram ovos. […] E o processo seguiu para a polícia e para o DIAP. Depois constituí-me assistente do processo e tenho também uma investigação particular para acompanhar o processo.

[Pré-eleições 2013] Um pequeno grupo é que designava o presidente ideal. Quando se diz que é o candidato da banca devo dizer que é o candidato de um banqueiro [José Maria Ricciardi;…] foi ele que me convidou. E foi ele que me contou que com José Eduardo Bettencourt procedeu-se da mesma maneira; havia nomes e um grupo escolheu José Eduardo Bettencourt. […] José Maria Ricciardi disse que já tinha contactado investidores, que tinha o meu nome aceite pelos investidores e aprovado por um grupo de notáveis do Sporting. Rejeitei por duas razões. Primeiro porque não tenho disponibilidade nem conhecimentos. Segundo porque achei o processo terrível. Como se escolhe um presidente desta maneira, sem programa, sem saber o que a pessoa verdadeiramente pensa só porque é uma pessoa conhecida e que se pode opor a um candidato do povo do Sporting?

[“Casta de pseudo-dirigentes”] Pessoas ligadas ao CD e Conselho Leonino (CL). Até 23 de março o Sporting foi dominado por um pequeno grupo de pessoas bem-falantes, que estão afastadas dos sócios do Sporting. E explico. Godinho Lopes propôs-me que chegasse junto dos miúdos do movimento e dissesse para eles retirarem o requerimento. […] Havia um desprezo total, visível em várias AGs. As propostas dos sócios eram sublinhadas com sorrisos e apartes de membros do CD. Havia um desrespeito pela opinião dos sócios que fosse diferente da deles. No CL a mesma coisa. As intervenções dos conselheiros eram por que razão não tinham acesso ao croquete. Uma verdadeira vergonha.

Da voz de um dos principais actores do mandato anterior, toma-se conhecimento de algo já há muito suspeitado. O Sporting Clube de Portugal tem estado nas últimas décadas sob o controlo de uma cáfila de banqueiros, gestores e supostos benfeitores que presumem para si as escolhas e as definições estratégicas. Gente que, de acordo com o testemunho de Daniel Sampaio, estão na disposição de tudo para manter o seu jugo sob o clube que deveria ser de todos os seus sócios. Pressionar, subornar, especular, humilhar, agredir.

Ao contrário dos gestores dos outros clubes que definem o panomara desportivo nacional, que recorrem a este tipo de expedientes para se beneficiarem através do sucesso desportivo, os gestores que têm dominado o Sporting Clube de Portugal fizeram-no sem interesse pelo sucesso desportivo, apenas por aquele que consiga manter os níveis de constestação baixos. Pode-se até especular que, tal como nos estranhos processos de desvalorização e transferência de João Moutinho, Izmailov ou Ricky van Wolfswinkel, pretenderam o seu próprio benefício à custo de competitividade desportiva.

Agradeço ao Dr. Daniel Sampaio ter tido a hombridade de ter tornado pública toda esta informação. No cumprimento do seu mandato e no respeito aos e pelos sócios, figura máxima que lhe cabia representar, foi um leão sem igual.

Fica a lição: os sportinguistas têm que se informar e manter a memória associativa, e têm que decidir tomar parte activa no processo político e decisório do clube, sob pena de, se não o fizerem, voltarem a desbaratar a sua identidade e honra em favor de um conjunto de ignóbeis “terroristas de gravata”.

Alvos preferenciais

Ricky

Ontem tivemos mais alguns excelentes exemplos, sintomáticos do que é ser Sporting Clube de Portugal no futebol português neste momento da sua e da nossa história.

O único ponta-de-lança do plantel, já vendido fora de mercado de transferências por suposta necessidade e suspeitável ganância, faz uma excelente exibição marcando os 3 golos e enviando um míssil à barra. Ricky, na sua curta carreira leonina, leva sete golos em quatro jogos contra o Braga (dois hat-tricks).

O recém-eleito presidente Bruno de Carvalho participa como delegado, sentando-se no banco e demonstrando mais envolvimento emocional e motivacional que muito poucos dos seus antecessores possuíram. Não sendo a atitude mais convencional, compensa em algo que faz falta ao Sporting para que consiga recuperar a sua identidade: raça e carisma.

André Martins também teve um papel preponderante no jogo de ontem, em particular enquanto a frescura física durou. Mostrou ter potencial para, numa época sem lesões ou desaparecimentos misteriosos, ser um titular essencial no onze da equipa. Um pouco à semelhança do que se passou com Cédric: depois de ter sido escudado das suas exibições mais fracas, regressa agora à titularidade no lugar do seu substituto. Que tenha a capacidade de agarrar o lugar, e teremos um quarteto defensivo mais comspetente e talentoso na próxima época. A propósito, julgo que o comportamento do quarteto defensivo após a (injusta) expulsão poderá ajudar o treinador a rever a sua abordagem. Porque não apostar em Rojo-Ilori-Dier-Cedric?

Quem assistiu ao jogo prestando atenção ao comentadores, ou quem valorize a opinião de paineleiros profissionais, diria que o jogo de
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