Campanha meio vazia

Até ao momento a campanha eleitoral tem estado centrada em entrevistas individuais, sem contraditório e com entrevistadores muito passivos, e na troca de galhardetes entre as listas, sem referência às soluções apresentadas de parte a parte.

Do ponto de vista das candidaturas menos preparadas esta abordagem faz sentido, por permitir esconder as suas maiores lacunas. Por exemplo, como se compreende que haja candidaturas que ainda não apresentaram estrutura e planeamento previsto para a gestão dos aspectos desportivos do futebol, para além dos transversais clichés da aposta na formação, e prefiram concentrar-se na comparação de experiências passadas e credibilidade?

Por outro lado a candidatura da lista B, que partiu com maior avanço na preparação efectiva, presiste embrulhada neste espectáculo mediático de discussão formação de listas, apoios e julgamentos de carácter. Apesar de se tratarem de pontos válidos na avaliação das listas, a lista B erra ao concentrar a sua presença mediática nestes pontos. Uma vez que aparenta ter maiores bases técnicas e organizacionais para responder aos problemas reais do clube, a lista B deveria lutar por centrar o debate nas soluções. Esse caminho tem perigos porque o primeiro a mostrar a mão acabará sempre por ser canibalizado e julgado pelos restantes candidatos, tal como visto em 2011. Mas o caminho alternativo, de discussão de passados, influências ou galões não levará à agregação de novo apoio social à lista.

A investigação de aspectos como as relações de interesses que deram origem a listas e a exploração de pontos fracos nas outras candidaturas devem ficar a cargo de órgãos de comunicação social interessados e imparciais, ou deveriam se esses existissem. Não existindo esta hipótese, não deveria ser a lista B, que se apresentava melhor preparada, a fazer esse papel, porque corre o risco de alienar votantes ainda indecisos.

A captação de indecisos consegue-se com discussão afirmativa de soluções, com apresentação real de trunfos (mesmo que menos bem definidos, como protecção contra a reacção das outras listas), obrigando os restantes candidatos a sair das sombras do comodismo da luta mediática e do julgamento de carácter. Só assim se poderá combater posições como “sou competente porque tenho passado no futebol” ou “aceito todas as soluções”.

Bruno de Carvalho deve afastar-se do tipo de quezílias onde paradoxalmente se parece dar melhor. A defesa intransigente da sua visão do clube e da interpretação que faz do passado recente e das outras candidaturas, embora sirva para reforçar o apoio que já tem, faz pouco por converter quem ainda não sabe em quem votar. De forma a tomar a dianteira das opções dos sócios, o candidato não pode contribuir para o aumento de ruído na campanha – por muito que possa ter razão – e tem que se concentrar em transmitir as suas soluções e opções estratégicas, previsivelmente mais amadurecidas e bem desenvolvidas que as dos concorrentes. Este ambiente crispado tem tudo para culminar em debates agressivos e pouco esclarecedores, o que só o prejudicará como candidato mais destacado da campanha.

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About Reflexivo Leonino

Sportinguista reflexivo.

Posted on 15 Março, 2013, in Dirigismo, Eleições 2013, Reflexivo, Sporting. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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