Independente

A Candidatura Independente apresenta-se a votos ao Conselho Fiscal e Disciplinar sob a lista D. Já tinham concorrido nos mesmos moldes em 2011, mas a invulgaridade da lista perdeu-se na quantidade de listas independentes apresentadas nessas eleições, embora esta fosse a única ao CFD. Nestas eleições, a Candidatura Independente é a única não alinhada com as restantes candidaturas de várias listas.

Esta candidatura apresenta uma lista composta por associados relativamente anónimos, maioritariamente com actividade profissional no domínio jurídico e financeiro e tem pautado, desde a campanha eleitoral anterior, as suas intervenções acerca do estado do clube com um grande sentido crítico e com clara preocupação acerca do real estado financeiro e patrimonial do clube.

No dia de ontem, como primeira iniciativa da sua campanha eleitoral, a Candidatura Independente pediu, “no seguimento da disponibilidade manifestada pelo Senhor Presidente do Conselho Directivo”, a disponibilização de um conjunto bastante extenso de elementos de caracterização económico-financeira da situação do Clube e respectivas empresas participadas. Nesta lista incluem-se por exemplo os respectivos relatórios e contas, contratos mais relevantes, relação de empréstimos e dívidas, o mal-fadado Livro Branco e o relatório da auditoria financeira de 2011.

Demonstrando conhecimento aprofundado nas temáticas técnicas necessárias e noção das reais responsabilidades de um Conselho Fiscal e Disciplinar, com este pedido a Candidatura acaba por testar mais uma vez a mais que estilhaçada ética de serviço e responsabilização dos membros dos órgãos sociais ainda em funções.

Por definição um Conselho Fiscal e Disciplinar deve ser isento e equidistante, fazendo todo o sentido que não esteja preso por noções de “solidariedade institucional” (que normalmente significa sensibilidade política e proximidade pessoal) com os restantes órgãos sociais, em particular com o Conselho Directivo e administrações das empresas participadas.

O que teria sido de Bettencourt ou de Godinho Lopes, para não ir mais atrás aos anos de desvario de Roquette e Dias da Cunha ou de erosão patrimonial de Filipe Soares Franco, se tivessem sido pressionados a apresentar um trabalho condizente com a exigência aplicável ao Sporting Clube de Portugal? Se em vez de terem conjuntos de seus correligionários e amigos de golfe a distribuir votos de confiança e aprovações com distinção, tivessem tido elementos exigentes, independentes e com espírito crítico a monitorizarem-lhes as estratégias?

Um raciocínio semelhante poderia – e deveria – ser levado a cabo para a Mesa da Assembleia Geral. Infelizmente o funcionamento da Mesa pressupõe uma escala e nível de estruturação que pouco provavelmente estará ao dispor de um grupo de sócios anónimos, sendo que isto talvez se justifique que não surjam listas independentes para este órgão. A Mesa representa a Assembleia Geral, que simboliza a totalidade da massa associativa do clube.

Faz pouco sentido que, tal como no caso da fiscalização, as pessoas que gerem a aplicação dos estatutos e a tomada de voz e posição por parte dos sócios possam estar comprometidas com o Conselho Directivo. Daí ter apoiado a actuação da Mesa presentemente em funções: existindo um movimento de sócios com condições reunidas para convocar uma Assembleia Geral, as disposições estatutárias só tinham que ser cumpridas, sem contemplações de adequação e sensibilidade do momento que pudessem implicar violação dos estatutos. Aliás, o requerimento surge justamente motivado pela sensibilidade do momento, e não o contrário.

Especulo: se tivesse sido a lista de Rogério Alves a vencer as eleições de 2011, neste momento (03/2013) estaríamos mais profundamente enterrados nos resultados catastróficos da gestão de Godinho Lopes, em nome de uma estabilidade institucional que apenas deveria ser mantida se os sócios assim o quisessem. Relembro que no primeiro semestre desta época (até 12/2012), a Sporting SAD apresentou um resultado líquido não auditado de 22 milhões de euros negativos, mantendo a tendência de agravação de passivo a um ritmo de cerca de 45 milhões de euros por ano, para não falar na catástrofe desportiva no futebol.

Por tudo isto, julgo que faz todo o sentido a constituição de órgãos independentes que permitam a fiscalização, por um lado e a participação activa dos sócios, por outro, sem que haja comprometimento com o Conselho Directivo para além dos superiores interesses do Sporting Clube de Portugal.

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About Reflexivo Leonino

Sportinguista reflexivo.

Posted on 1 Março, 2013, in Dirigismo, Eleições 2013, Reflexivo, Sporting. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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