Monthly Archives: Março 2013

Presidente

Bruno de Carvalho

Os sócios escolheram: Bruno de Carvalho será o próximo presidente do Sporting Clube de Portugal a partir da tomada de posse que se prevê que tenha lugar dia 26 de Março de 2013. Não deixa de ser simbólico que consiga a eleição exactamente dois anos depois das últimas eleições, período de tempo em que a instituição perdeu competitividade, representatividade, equilíbrio interno e respeito externo, encontrando-se neste momento num nó górdio muito mais apertado do que antes.

A candidatura de Bruno de Carvalho terá conseguido, ao que demonstram os resultados parciais, a vitória em todos os órgãos sociais. Destaco também a valorosa votação da Lista D ao Conselho Fiscal e Disciplinar, prevendo-se que consiga eleger um vogal graças aos 18,89% de votos, conseguindo assim o sétimo elemento de uma composição que se prevê igualmente dividida entre as listas B e C, sob a presidência de Jorge Bacelar Gouveia.

Aos restantes sportinguistas restará apoiar as equipas, acompanhar e avaliar a gestão e opções dos órgãos sociais, e participar activamente na vida do clube, sendo uma altura tão boa como qualquer outra para apelar à adesão a sócio. O clube somos nós!

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Hora de escolher

Não poderia deixar acabar o dia de hoje sem comentar a campanha eleitoral e deixar uma nota final sobre as eleições de amanhã. A  campanha eleitoral culminou com os debates realizados esta semana e, ao contrário do que tenho lido por aí, achei-os esclarecedores. Mas não no sentido tradicional; os debates serviram para identificar, vendo para além do frenesim mediático criado com essas iniciativas, os papeis dos intervenientes.

Quem surge por carolice, com as soluções possíveis mas com genuína vontade de ajudar, à sua maneira, a resolver os problemas do Sporting Clube de Portugal, mesmo que obviamente limitado dos pontos de vista comunicacional, desportivo e da capacidade de gestão.

Quem, usando o seu estilo provocatório e obstinado muito próprio, se alicerça no trabalho desenvolvido ao longo de anos de participação activa na vida do clube, num projecto de gestão desportiva e financeira amadurecido e numa equipa que, apesar de imperfeita por apresentar alguns elementos de influência demasiado politizada,  não esconde a sua própria responsabilização em elementos a contratar ou comissões de gestão remota.

Quem, tendo sido arregimentado nas condições que se conhecem, se faz valer do seu passado sofrível no futebol para esconder a sua falta de capacidade decisória e impreparação para a função e respectivas responsabilidades, se serve das suas bases “notáveis” de apoio para criar uma campanha de escala  e mobilização artificiais, se suporta numa equipa que ameaça ser a ponta de um iceberg de profundidades insondadas (embora não propriamente desconhecidas) e que expõe o seu real carácter e verticalidade quando confrontado com factos e ligações indiscutíveis do seu passado.

Quem se apresenta, no órgão em que a independência deveria ser o critério mais relevante, como única lista realmente desassociada de outros candidatos e correntes de influência histórica no clube.

Pessoalmente, tenho as minhas escolhas definidas. Entre um caminho de esperança, de renovação, de carisma e galvanização de massas, e outro de serviço a interesses,  silenciamento associativo, prepotência e alheamento, nem poderia fazer outras escolhas.

Campanha meio vazia

Até ao momento a campanha eleitoral tem estado centrada em entrevistas individuais, sem contraditório e com entrevistadores muito passivos, e na troca de galhardetes entre as listas, sem referência às soluções apresentadas de parte a parte.

Do ponto de vista das candidaturas menos preparadas esta abordagem faz sentido, por permitir esconder as suas maiores lacunas. Por exemplo, como se compreende que haja candidaturas que ainda não apresentaram estrutura e planeamento previsto para a gestão dos aspectos desportivos do futebol, para além dos transversais clichés da aposta na formação, e prefiram concentrar-se na comparação de experiências passadas e credibilidade?

Por outro lado a candidatura da lista B, que partiu com maior avanço na preparação efectiva, presiste embrulhada neste espectáculo mediático de discussão formação de listas, apoios e julgamentos de carácter. Apesar de se tratarem de pontos válidos na avaliação das listas, a lista B erra ao concentrar a sua presença mediática nestes pontos. Uma vez que aparenta ter maiores bases técnicas e organizacionais para responder aos problemas reais do clube, a lista B deveria lutar por centrar o debate nas soluções. Esse caminho tem perigos porque o primeiro a mostrar a mão acabará sempre por ser canibalizado e julgado pelos restantes candidatos, tal como visto em 2011. Mas o caminho alternativo, de discussão de passados, influências ou galões não levará à agregação de novo apoio social à lista.

A investigação de aspectos como as relações de interesses que deram origem a listas e a exploração de pontos fracos nas outras candidaturas devem ficar a cargo de órgãos de comunicação social interessados e imparciais, ou deveriam se esses existissem. Não existindo esta hipótese, não deveria ser a lista B, que se apresentava melhor preparada, a fazer esse papel, porque corre o risco de alienar votantes ainda indecisos.

A captação de indecisos consegue-se com discussão afirmativa de soluções, com apresentação real de trunfos (mesmo que menos bem definidos, como protecção contra a reacção das outras listas), obrigando os restantes candidatos a sair das sombras do comodismo da luta mediática e do julgamento de carácter. Só assim se poderá combater posições como “sou competente porque tenho passado no futebol” ou “aceito todas as soluções”.

Bruno de Carvalho deve afastar-se do tipo de quezílias onde paradoxalmente se parece dar melhor. A defesa intransigente da sua visão do clube e da interpretação que faz do passado recente e das outras candidaturas, embora sirva para reforçar o apoio que já tem, faz pouco por converter quem ainda não sabe em quem votar. De forma a tomar a dianteira das opções dos sócios, o candidato não pode contribuir para o aumento de ruído na campanha – por muito que possa ter razão – e tem que se concentrar em transmitir as suas soluções e opções estratégicas, previsivelmente mais amadurecidas e bem desenvolvidas que as dos concorrentes. Este ambiente crispado tem tudo para culminar em debates agressivos e pouco esclarecedores, o que só o prejudicará como candidato mais destacado da campanha.

Na sombra de grandes leões

João Rocha

Morreu um grande Presidente do Sporting Clube de Portugal. O grande Presidente do Sporting Clube de Portugal das últimas décadas. Que tenha encontrado paz.

Que o clube que o sobrevive consiga fazer honra  ao seu trabalho e herança. Tal como a José Alvalade, a João Rocha. Num só espaço, com um só objectivo. Um clube tão grande como os maiores da Europa.

Clássico paradigmático

Rui Patrício

Hoje assistiu-se a mais um exemplo paradigmático do que têm sido os clássicos não só em Alvalade mas principalmente no seguimento da ponte do Freixo. Um jogo com demasiado protagonismo dos seus árbitros, com critérios desiguais na marcação de faltas e atribuição de cartões, expulsões evitadas para um lado e criadas para o outro. Inclusivamente quer Jesualdo Ferreira quer Oceano Cruz foram expulsos, o que levanta problemas para a orientação técnica da equipa durante os respectivos castigos.

Fora destes aspectos, destacaram-se principalmente os jovens leões que, pela sua entrega e capacidade de sofrimento, mereciam mais os três pontos que os profissionais do aproveitamento de benefícios que se lhes opuseram. Com mais frieza e espírito de entreajuda na manobra ofensiva teria sido possível vencer a outra equipa que, apesar de ter conseguido dominar no que toca à posse de bola, pouco conseguiu fazer. Ainda assim, acho desadequado exigir ao presente plantel que, nas presentes condições de motivação e competitividade, apresente índices de aproveitamento e desempenho mais elevados. Tendo sido um passo importante resistir a um dos líderes pontuais do campeonato (ainda que em casa), a gestão da equipa e das expectativas dos adeptos tem que ser focada na subida de um degrau de cada vez. Até porque, como hoje ficou bem demonstrado, temos demasiados problemas exteriores para enfrentar sem que haja uma pacificação e reorganização interna.

Independente

A Candidatura Independente apresenta-se a votos ao Conselho Fiscal e Disciplinar sob a lista D. Já tinham concorrido nos mesmos moldes em 2011, mas a invulgaridade da lista perdeu-se na quantidade de listas independentes apresentadas nessas eleições, embora esta fosse a única ao CFD. Nestas eleições, a Candidatura Independente é a única não alinhada com as restantes candidaturas de várias listas.

Esta candidatura apresenta uma lista composta por associados relativamente anónimos, maioritariamente com actividade profissional no domínio jurídico e financeiro e tem pautado, desde a campanha eleitoral anterior, as suas intervenções acerca do estado do clube com um grande sentido crítico e com clara preocupação acerca do real estado financeiro e patrimonial do clube.

No dia de ontem, como primeira iniciativa da sua campanha eleitoral, a Candidatura Independente pediu, “no seguimento da disponibilidade manifestada pelo Senhor Presidente do Conselho Directivo”, a disponibilização de um conjunto bastante extenso de elementos de caracterização económico-financeira da situação do Clube e respectivas empresas participadas. Nesta lista incluem-se por exemplo os respectivos relatórios e contas, contratos mais relevantes, relação de empréstimos e dívidas, o mal-fadado Livro Branco e o relatório da auditoria financeira de 2011.

Demonstrando conhecimento aprofundado nas temáticas técnicas necessárias e noção das reais responsabilidades de um Conselho Fiscal e Disciplinar, com este pedido a Candidatura acaba por testar mais uma vez a mais que estilhaçada ética de serviço e responsabilização dos membros dos órgãos sociais ainda em funções.

Por definição um Conselho Fiscal e Disciplinar deve ser isento e equidistante, fazendo todo o sentido que não esteja preso por noções de “solidariedade institucional” (que normalmente significa sensibilidade política e proximidade pessoal) com os restantes órgãos sociais, em particular com o Conselho Directivo e administrações das empresas participadas.

O que teria sido de Bettencourt ou de Godinho Lopes, para não ir mais atrás aos anos de desvario de Roquette e Dias da Cunha ou de erosão patrimonial de Filipe Soares Franco, se tivessem sido pressionados a apresentar um trabalho condizente com a exigência aplicável ao Sporting Clube de Portugal? Se em vez de terem conjuntos de seus correligionários e amigos de golfe a distribuir votos de confiança e aprovações com distinção, tivessem tido elementos exigentes, independentes e com espírito crítico a monitorizarem-lhes as estratégias?

Um raciocínio semelhante poderia – e deveria – ser levado a cabo para a Mesa da Assembleia Geral. Infelizmente o funcionamento da Mesa pressupõe uma escala e nível de estruturação que pouco provavelmente estará ao dispor de um grupo de sócios anónimos, sendo que isto talvez se justifique que não surjam listas independentes para este órgão. A Mesa representa a Assembleia Geral, que simboliza a totalidade da massa associativa do clube.

Faz pouco sentido que, tal como no caso da fiscalização, as pessoas que gerem a aplicação dos estatutos e a tomada de voz e posição por parte dos sócios possam estar comprometidas com o Conselho Directivo. Daí ter apoiado a actuação da Mesa presentemente em funções: existindo um movimento de sócios com condições reunidas para convocar uma Assembleia Geral, as disposições estatutárias só tinham que ser cumpridas, sem contemplações de adequação e sensibilidade do momento que pudessem implicar violação dos estatutos. Aliás, o requerimento surge justamente motivado pela sensibilidade do momento, e não o contrário.

Especulo: se tivesse sido a lista de Rogério Alves a vencer as eleições de 2011, neste momento (03/2013) estaríamos mais profundamente enterrados nos resultados catastróficos da gestão de Godinho Lopes, em nome de uma estabilidade institucional que apenas deveria ser mantida se os sócios assim o quisessem. Relembro que no primeiro semestre desta época (até 12/2012), a Sporting SAD apresentou um resultado líquido não auditado de 22 milhões de euros negativos, mantendo a tendência de agravação de passivo a um ritmo de cerca de 45 milhões de euros por ano, para não falar na catástrofe desportiva no futebol.

Por tudo isto, julgo que faz todo o sentido a constituição de órgãos independentes que permitam a fiscalização, por um lado e a participação activa dos sócios, por outro, sem que haja comprometimento com o Conselho Directivo para além dos superiores interesses do Sporting Clube de Portugal.

Couceiro

José Couceiro

A candidatura de José Couceiro, consubstanciada na letra C, foi assumida um dia antes do prazo para entrega de listas. Esta candidatura apresenta listas para o Conselho Directivo, Mesa da Assembleia Geral e Conselho Fiscal e Disciplinar, não apresentando lista para o Conselho Leonino.

José Couceiro já passou pelo Sporting e pelo futebol português em diversas fases e papéis. Depois de uma carreira fugaz como jogador de futebol, Couceiro foi presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, director desportivo do Sporting pela mão de José Roquette, administrador e posteriormente treinador do Alverca pela mão de Luis Filipe Vieira, e presidente do comité de investimentos do primeiro fundo português de investimento em passes de jogadores, constiuído pelo grupo Orey.

Em relação à função no fundo de investimento, foi responsável pelo benefício dos seus subscritores com a aquisição a baixo custo de percentagens de passes de jogadores da formação do Sporting como Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma e Hugo Viana. Como exemplo mais significativo, este fundo terá adquirido em 2002 35% do passe de Cristiano Ronaldo (à data com 17 anos) com base numa avaliação de 1,8 milhões de euros. No espaço de um ano, Ronaldo foi transferido para o Manchester United por 15 milhões, valorizando a participação do fundo em mais de 800%. O clube que o formou encaixou cerca de 9 milhões. O fundo, que conseguiu convencer o clube de que o jogador não valeria lá muito, encaixou mais de 5 milhões.

Depois do colapso do Alverca, Couceiro continua a sua carreira de treinador destacando-se a passagem em equipas como o Vitória de Setúbal, Porto, Belenenses e Gaziantepspor. Em 2010 volta a entrar no futebol do Sporting, desta vez como director geral, ficando entre Costinha e José Eduardo Bettencourt. Pouco tempo depois, estes e Paulo Sérgio saem de cena, ficando Couceiro responsável pela gestão e treino da equipa principal do Sporting. Com a entrada dos novos órgãos sociais em 2011, Couceiro é posto de parte pela tão competente e profissional estrutura de gestão implementada por Godinho Lopes e vai treinar o Lokomotiv de Moscovo, tendo sido dispensado no final da temporada por não ter atingido os objectivos definidos, onde se destacava o apuramento para uma competição europeia.

Não se pode dizer que a experiência acumulada no mundo do futebol não seja uma mais-valia. No entanto, seria bastante mais relevante se tivesse sido marcada por maiores sucessos, mesmo que relativos. Na sua carreira desportiva, destacam-se apenas a obtenção do terceiro lugar pelo Sporting em 2010/2011 e as subidas de divisão pelo Alverca. Algo curto para ser usado como passado de sucesso em campanha.

Apesar de ter sido o último candidato a avançar oficialmente, José Couceiro fez parte da paisagem mediática de preparação de eleições desde que elas foram convocadas. Ora surgiu apenas como comentador sem interesse em avançar para a presidência, ora ensaiou aproximações às diferentes correntes de influência no clube. Defendendo o seu interesse em participar na solução dos problemas do Sporting, acaba por se disponibilizar para integrar uma candidatura, desde que houvesse garantia de condições económicas e equipa constituída para avançar.

Esta tomada de posição e disponibilidade acontece numa altura em que Godinho Lopes admite ainda a recandidatura no caso de não se perfilarem opções que ele identifique como suficientemente credíveis. Simultaneamente surjem notícias de diversas sondagens a figuras mediáticas do universo político, económico e desportivo do país e do clube: Jorge Coelho, Luís Figo, Rogério Alves e até Rui Oliveira e Costa são sondados para avançar. Nesta fase, são inclusivamente lançadas notícias menos abonatórias sobre Couceiro no Record, ainda com a decisão do Godinho Lopes por tomar.

Enquanto a linha institucional do Sporting tarda em definir o seu candidato, surge a candidatura de Paiva dos Santos, através de alguma capacidade mediática e da exposição irregular de tarjas no Estádio José Alvalade durante um jogo. Esta candidatura, consolidada em apoiantes e membros da candidatura de Pedro Baltazar em 2011, afirma que quer seguir até às urnas a não ser que Couceiro se candidate.

Simultaneamente com estas movimentações e num dos seus momentos mais polémicos, Dias Ferreira aponta José Maria Ricciardi (presidente do BES Investimento, membro do Conselho de Administração do BES e vice-presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar) e Sikander Abdul Sattar (responsável da auditora e vogal do Conselho Fiscal e Disciplinar) como principais responsáveis pelo condicionamento de candidaturas à presidência do Sporting e à gestão do clube e SAD. Não é claro se esta delação resulta da pureza de consciência sportinguista ou, pelo contrário, como consequência de (mais) uma nega de apoio para avançar à Presidência. No entanto, estas acusações permitem ajudar a compreender melhor o que rodeia e como funciona a negociação de poderes no universo Sporting.

Com a negação pública de avanço por parte de Luís Figo e com a aproximação do fim de prazo para constituição e entrega das listas, Couceiro decide avançar. A este avanço, Godinho Lopes responde com a sua não recandidatura. Couceiro obtém o acompanhamento da sua candidatura pela Cunha Vaz & Associados, a mesma empresa de comunicação que assessorou Godinho Lopes até ao momento em que a Federação Portuguesa de Futebol precisou dos seus serviços. António Cunha Vaz, pessoa com opiniões muito próprias acerca de quem pode ou não pode dirigir o Sporting e com relevante experiência profissional adquirida especialmente na assessoria de comunicação a bancos, partidos e candidaturas políticas e desportivas, consolidou a sua ascensão profissional no universo Millenium BCP, o outro principal credor do Sporting.

Com o avanço da candidatura de Couceiro cai, tal como anunciado, a candidatura de Paiva dos Santos, com a particularidade de cair para todos os órgãos a que a candidatura de Couceiro se propõe (todos excepto o Conselho Leonino). Na sobrevivente lista de Paiva dos Santos ao Conselho Leonino são integrados nomes como Rui Oliveira e Costa e Vasco Lourenço. Ou seriam, não tivesse o mandatário da lista tido problemas no dia de entrega da documentação, chegando atrasado e já fora do período de aceitação de candidaturas.

Couceiro define-se como um candidato pela verdade e pela gestão rigorosa, por oposição à gestão desregrada dos últimos anos, em que curiosamente tomou parte. Como esquecer a venda de Liedson, a contratação de Cristiano e a incapacidade em encontrar soluções para ponta-de-lança, problema já crónico na SAD sportinguista?

Apesar de defender a responsabilização dos elementos directivos pela gestão que conduziram, é o candidato menos veemente na defesa dos interesses do clube face a actuação das gestões anteriores. Compreende-se; sendo defensável que Couceiro seja ponderado e que considere todas as soluções, não se pode comprometer com algo que hostilizaria as suas bases de apoio.

Couceiro difícilmente poderia definir-se como independente dos apoios que recebeu, depois de estes terem sido negociados de forma tão exposta. Até Carlos Barbosa, homem ligado ao Grupo Cofina que inicialmente reagiu contra a hipótese Couceiro quando ainda não tinha o selo da credibilidade, já veio repetir o seu insulto tradicional contra quem ousar reconhecer padrões nestas movimentações. Passando de burro a estúpido, Carlos Barbosa funciona como um indicador de alinhamento.

Quer queira quer não queira, quer tenha aceite ou não qualquer grau de ingerência ou influência na sua candidatura, Couceiro é neste momento o candidato do dito Sporting institucional. Não podendo ser, por princípio, uma cruz para Couceiro os apoios que recolhe, a idonedade e independência da sua candidatura deve ser pelo menos questionada quando, por exemplo, não aconteceu uma única iniciativa pública de recolha de candidaturas. Eu pelo menos não tive conhecimento de nenhuma.

Da mesma forma, a maior ou pior qualidade da sua campanha ou das suas opções de comunicação, mesmo que discutíveis, não podem substituir a análise do essencial. Sim, é claramente estudada a revisão que fez ao nome com que se apresenta aos associados, fazendo uma colagem eleitoralista à memória do seu tio-avô de forma a influenciar o subconsciente dos sócios menos informados ou com menor interesse em se informarem a fundo, mas não pode ser isso a contribuir para a sua maior ou menor apetência para o cargo de Presidente do Sporting Clube de Portugal.

Apesar do historial relevante no mundo do futebol português, com passagens pelo serviço a Roquette, Vieira, Orey, Pinto da Costa e Bettencourt, José Couceiro deve ser avaliado pelo que for efectivamente capaz de representar como presidente do Sporting Clube de Portugal: se o topo de uma liderança clara, forte e decisiva, se um homem de mão permeável e beneficiário de jogadas de poder e influência. Na minha opinião, parte com prognóstico muito reservado.