Monthly Archives: Outubro 2012

Dar rumo ao Sporting

Passaram noventa e seis dias desde o meu último artigo.

Noventa e seis dias nos quais o clube tem passado por demasiados problemas, principalmente internos, para que se possa continuar a acreditar na direcção em funções. Não se trata apenas de discordar de algumas das opções estratégicas e administrativas feitas por Godinho Lopes e os seus apaniguados.

Neste momento o Sporting Clube de Portugal encontra-se num ponto de tamanha desagregação e desestruturação organizativa que só com “exemplos e liderança de homens singulares” conseguirá ultrapassar. E nem Godinho Lopes nem nenhum dos seus escolhidos parece ter o que é preciso.

Foi criado ontem um “movimento de sócios do Sporting Clube de Portugal que pretende avançar com uma Assembleia Geral Extraordinária, com ponto único: eleições antecipadas.

Transcrevo aqui algumas das ideias chave do respectivo manifesto. Informem-se e participem – o Sporting precisa de todos para sobreviver.

Com pouco tempo se revelou que não só a Direcção liderada pelo Eng. Godinho Lopes foi incapaz de romper com a decadente continuidade de anos prévios, como até a acentuou ainda mais:
  • Falhou desportivamente no Futebol:
  •  a primeira época agravou a tendência de um Sporting sem títulos, longe do Campeonato e fora do pódio (afastado por isso da Liga dos Campeões);
  • a segunda época arranca e já o Sporting se encontra mais próximo da descida de divisão que da conquista do Campeonato;
  • nas restantes modalidades: um dos anos com menos títulos da história recente do Sporting.
  • Falhou financeiramente:

O presente é pior que o passado:

  • não só não surgiu o prometido fundo de 100 milhões, como ainda se agravou mais a situação financeira do clube com um novo empréstimo de 40 milhões;
  • o passivo do Clube cresce dramaticamente, ao invés de se reduzir para os 200 milhões jurados;
  • os elevadíssimos investimentos no plano desportivo, largamente superiores aos de anos passados, não surtiram efeitos;

O futuro está comprometido:

  • aumentaram os encargos graças aos novos empréstimos pedidos à banca;
  • grandes fatias dos passes pertencentes a jogadores influentes e/ou com potencial no plantel que foram vendidos, alguns abaixo do valor de compra (o Sporting detém 20% de Salomão; 30% de Carrillo, André Santos e Cédric; 35% de Wilson Eduardo, André Martins, Rinaudo, Wolfswinkel e Insua; 37,5% de Schaars) – perde-se por isso dinheiro no imediato, vendendo por menos do que se comprou, e perde-se uma fonte de rendimento crucial no futuro, já que pouco lucro da venda de jogadores reverterá para o Sporting.
  • Falhou na Direcção

Promessas eleitorais estruturantes provaram-se fraudulentas:  

  • não existe um fundo de 100 milhões;  
  • o passivo está a crescer, não a diminuir;  
  • a renegociação com a banca resultou, afinal, num novo empréstimo e com juros mais elevados (9,25%) 
  • não há estabilidade na estrutura do Clube, que aos poucos se desintegra; 
  • e outras discrepâncias entre o dito e feito;
  • Dois Vice-Presidentes, homens de confiança escolhidos a dedo pelo Presidente, demitiram-se no espaço de um ano: um deles associou o até então impoluto nome do Sporting Clube de Portugal a condutas criminosas.
  • O Sporting procura o terceiro treinador para a equipa de futebol no espaço de pouco mais de uma época: 
  1. os dois prévios continuam a receber ordenado sem cumprirem qualquer função dentro do Clube;  
  2. numa incapacidade sem precedentes, o Sporting encontra-se sem treinador há mais de uma semana.
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