Monthly Archives: Julho 2012

Uma crença, uma fé.

Nos tempos mais difíceis desde a sua fundação, o Sporting Clube de Portugal tem conseguido prevalecer graças a exemplos e liderança de homens singulares. José Alvalade, João Rocha, Moniz Pereira, Francisco Stromp. Com um universo tão plural composto por inúmeros sócios e adeptos, só exemplos de carisma, dedicação e espírito leonino como estes conseguem promover união a níveis mais profundos. Só com os pés firmemente fincados nestas raízes de abnegação, sacrifício e vontade conseguiremos ultrapassar as tensões internas que nos limitam e sarar as feridas que persistem em nos infectar.

No dia do seu aniversário foi anunciado que o novo Pavilhão desportivo, a construir no Complexo Alvalade XXI, terá o nome estatutário de João Rocha. Uma homenagem que, embora ainda dependa da aprovação em Assembleia Geral e só existirá quando as diversas modalidades Sportinguistas de pavilhão lhe possam de facto chamar de casa, é justa e adequada a alguém que tanto fez pelo Sporting Clube de Portugal e pelo seu ecletismo.

Moniz Pereira participou ontem na cerimónia de despedida dos atletas sportinguistas que participarão nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, após algumas gerações de participações. Apesar das baixas de relevo – Francis Obikwelu, Naide Gomes e Rui Silva – participarão ainda dezanove atletas na prova maior do desporto mundial, que se espera que honrem os países que representam e o clube que os apoia.

Por estes dias, as equipas de futebol sénior começam as suas épocas desportivas. Embora ainda haja muito por definir – por exemplo, a equipa B ainda não tem definido o campo de jogos – há pequenos passos que deveriam ser tomados para intensificar a relação entre o clube e os seus apoiantes.

Tenho lido por aí uma excelente ideia que simultaneamente contribui para a homenagem e respeito à herança centenária leonina e para a consolidação do potencial e identidade mediática da equipa secundária: tornar o equipamento Stromp no equipamento principal da equipa B. Tal traria vantagens para os adeptos (que finalmente vêm o histórico equipamento ganhar alguma da relevância que merece), para o clube (por aprofundar a sua relação com a sua história), para os jogadores da equipa B (aproveitando a oportunidade para transmitir o peso de uma camisola centenária), e para os patrocinadores (que poderiam ver os seus investimentos melhor compensados).

Por outro lado, aumentar a cobertura mediática interna às diversas sessões de trabalho dos vários plantéis, com iniciativas como esta, representaria um investimento significativo para aproximar o clube daqueles que por ele sofrem e torcem. O Sporting tem que reforçar os seus laços consigo próprio para conseguir avançar.

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O significado de um leão conturbado

O Sporting Clube de Portugal comemorou ontem 106 anos de história. Uma história verídica, profunda e cheia de luta, sofrimento, sacrifício, superação e sucesso.

Neste momento particular da história, o clube e o conjunto de pessoas que o define – os sportinguistas – estão a atravessar uma fase de polarização. Por entre vários graus de cinzento, os verdes mais claros e mais escuros encontraram na última Assembleia Geral um palco para demonstrar os seus contrastes. Participaram alguns sócios que, eventualmente sofrendo como os restantes pelos maus resultados mais recentes, escolhem o caminho que lhes parece mais correcto: a promoção de estabilidade, a defesa institucional e estatutária dos órgãos sociais e das suas estratégias. Participaram outros sócios que, vendo o seu clube definhar num aparente marasmo de más negociações e gestão, contratos assinados de cruz e faltas de carisma, reagem e tentam resgatar da degradação algo que também é seu.

É grave que não se questione que a SAD exija taxas de juro de empréstimo ao Clube de que faz parte e que supostamente serve, ou que não se consiga evitar partilhar um complexo desportivo, para o qual investimos fortemente, com o rival da cidade? É.

É grave que, numa conjuntura tão difícil como a presente e com um investimento tão forte e arriscado a gerir, se criem animosidades e dificuldades à gestão em vez de apontar as falhas com seriedade e evitando demagogias, efectivamente informando os consócios? Também é.

Também é grave que continuemos tão sensíveis às influências externas inclusivamente a custo do progresso do clube e melhoria da sua gestão. Um leão conturbado fraqueja quando confrontado com as suas fraquezas. Infelizmente não tive oportunidade de participar na Assembleia, mas do que assisti pareceu-me que as boas intenções tanto dos órgãos sociais como da massa associativa estão rodeadas por irracionalidades, por buscas por protagonismo e por demagogia.

O Sporting precisa de ser cuidado. Tanto pelos órgãos sociais como pelos sócios, e de forma a que uns não sejam encarados pelos outros como uma corja conspirativa e os segundos não sejam encarados como empecilhos e terroristas pelos primeiros. Um leão crispado consigo próprio não consegue avançar.