Monthly Archives: Março 2012

Uma fusão que divide

No seguimento do artigo anterior e uma vez que já é público o projecto de fusão da SPM na SAD, julgo ser importante contrariar as tendências recentes e “despersonificar” a situação. Não se trata de quem diz defender os interesses do clube ou de quem tenta estabilizar a contabilidade da SAD.

Consultando o projecto de fusão, o mecanismo não poderia ser mais claro: para que a fusão seja feita, a SPM terá que proceder a um aumento de capital social via entradas em dinheiro no valor de 120 M€ efectuadas pelos seus accionistas  – Sporting Clube de Portugal (em 44%) e Sporting SGPS (em 56%) – o que equivale a uma pertença total ao Sporting Clube de Portugal. Este pagamento terá de ser feito para liquidar as dívidas da SPM para que a fusão possa ter lugar. Tal não parece ser mais do que dizer que, para “engordar” a SAD, o SCP absorverá dívidas num valor de 120 M€.

O que recebe o Clube em troca? Cerca de 73 milhões de acções da SAD, provenientes do aumento de capital da SAD consequente da fusão. Estas acções, com valor nominal de 1€ (portanto nominalmente 73M€), avaliadas à data de 31 de Janeiro, data de referência da fusão, valem aproximadamente a 33M€ (14,5M€ directamente e 18,4M€ via Sporting SGPS). Entretanto, a cotação tem-se mantido relativamente equivalente.

Qual é o resultado final da operação? O Sporting Clube de Portugal cede os direitos de superfície das suas infra-estruturas mais proveitosas – o Estádio José Alvalade e o Complexo Multidesportivo e incorpora 120M€ de dívida em troca de algo que nominalmente vale 73M€ mas que presentemente vale menos de metade disso.

Volto a referir, para quem se quiser informar, a localização do projecto de fusão. Foi esta a única fonte de todos os dados acima descritos. Relembro também que no ponto 3 do Artigo 6.º dos Estatutos do Sporting Clube de Portugal “depende ainda de autorização ou aprovação da Assembleia Geral [do Clube] a alienação ou oneração de participações em sociedades, excepto se tiverem a natureza de meras aplicações financeiras.” Parece-me não haver nada de “mero” nesta aplicação.

Sim, é verdade que desta forma o exercício da Sporting SAD fica (temporariamente) mais estabilizado, permitindo apresentar melhores resultados financeiros no curto prazo. Mas também é verdade que, mantendo as estruturas de custos e receitas, com um ritmo de 19M€ negativos por semestre este balão de oxigénio rapidamente se esgotará.

E quando se esgotar, o que restará ao Sporting Clube de Portugal para além de alienar a sua posição na SAD, pedaço a pedaço, para conseguir manter a sua actividade desportiva nas restantes modalidades? Faz sentido incorporar na Sporting SAD – dedicada exclusivamente ao futebol – o Complexo Multidesportivo? As modalidades ditas amadoras que nele funcionam, terão que passar a pagar renda à SAD para poderem usar os espaços que deveriam ser do Clube?

Foi constituída uma comissão técnica para dotar o processo de desenvolvimento do novo pavilhão do conhecimento de causa que possa fazer dele uma real mais valia desportiva, numa altura em que a aprovação do Plano de Pormenor se arrasta de sessão em sessão da Assembleia Municipal de Lisboa.  É de louvar esta iniciativa, uma vez que permitirá a consulta das modalidades que dele realmente dependerão.

No entanto fica a dúvida: quando for finalmente erigido, o pavilhão vai ser de quem? Do Clube, e será que vai ser recriada uma estrutura empresarial, para o gerir, equivalente à que se pretende agora eliminar? Da SAD, desvirtuando por completo o Clube e as suas mais-valias desportivas e patrimoniais, tal como visto acima com o Complexo Multidesportivo?

Quanto aos resultados desportivos recentes mais relevantes, o cenário é tudo menos regular. No andebol, a equipa terá perdido a escassa possibilidade de obter o título de campeão nacional com uma derrota doméstica contra o Madeira SAD. Restam ainda as taças – a de Portugal e a Challenge. No futebol, um panorama muito semelhante: aprofundou-se a diferença para o pelotão da frente descendo ao quinto lugar da classificação, jogando-se amanhã a primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa frente ao Metalist, às 20h05 no Estádio José Alvalade. Que, apesar de tudo, os bons resultados desportivos sejam alcançados, para que ao menos dentro de campo os nossos ideais sejam cumpridos.

Leituras de um projecto

A passagem da Sporting Património e Marketing para a SAD é, em si própria, uma alienação. Simplificando, representa a venda da empresa gestora das infra-estruturas e restante património do Sporting Clube de Portugal, participada a 100% pelo SCP, por algo que a Sporting SAD ou os seus accionistas possam apresentar como compensação para o Sporting Clube de Portugal. Esta venda tem ainda assim algumas vantagens, prontamente descritas no comunicado, que vou abordar isoladamente.

A fusão permitirá resolver a situação dos capitais próprios da Sporting SAD, que hoje se encontram negativos, e que desta forma passarão a positivos.

Esta vantagem é mais um anúncio do que uma constatação, porque presume informação não comunicada – o valor atribuído à putativa fusão da SPM com a SAD. De acordo com o Relatório & Contas do primeiro semestre desta época, os capitais próprios consolidados da SAD foram de -37M€. Resta conhecer e validar a real avaliação do valor da SPM, e sob que forma será o SCP compensado.

Por outro lado, a fusão permitirá concentrar todas as actividades económicas relacionadas com o futebol numa única entidade, a Sporting SAD, eliminando custos duplicados decorrentes da existência das duas sociedades, permitindo uma optimização dos recursos e a constituição de uma estrutura mais coesa, constituída apenas por duas entidades: o Clube e a Sporting SAD.

Esta vantagem é em si própria um bom exemplo de gestão: se foram identificadas actividades económicas relacionadas faz todo o sentido que se eliminem custos desnecessários na estrutura organizacional do Universo Sporting. No entanto, esta avaliação dependerá do que poderá custar ao SCP esta operação.

A operação de fusão permitirá ainda ao Sporting Clube de Portugal manter a maioria do capital social da Sporting SAD, mesmo depois da conversão das VMOC em capital da SAD.

Esta vantagem aponta para aquela que será a melhor contribuição da operação: assegurar a maioria do SCP na SAD, independentemente da conversão das VMOC em capital da SAD. Tal só pode acontecer com um aumento artificial do capital da SAD, uma vez que o capital a converter pelas VMOC (55M€) representa mais do que o capital actualmente compõe a SAD (39M€). Fica também a nota de que esta vantagem também pressupõe informação não comunicada – em particular, o valor da compensação a atribuir ao SCP pela SPM, qual o aumento de capital a realizar na SAD e qual a previsível posição do SCP na SAD após a operação.

Finalmente, a concretização da fusão terá impacto positivo na Sporting SAD ao nível do cumprimento das regras de Fair-Play financeiro da UEFA, facilitando a obtenção da rentabilidade mínima exigida pela UEFA a partir do Exercício de 2013/14.

Esta vantagem baseia-se numa presunção de informação não comunicada nem, infelizmente, previsível – o comportamento da Sporting SAD no que se refere à sua rentabilidade. E esta rentabilidade depende de muito mais do que da culinária contabilística que possa ser feita – depende da obtenção de resultados quer desportivos, quer económicos, suficientemente fortes para compensar os custos incorridos tanto ao longo da história como num passado mais recente.

 

Ultrapassando outras questões que merecerem um artigo por si próprias, como a falta de respeito demonstrado pelos dirigentes do Sporting para com os seus associados na temporização e baixíssima mediatização do anúncio, assim como na marginalíssima referência à necessidade de a organização de Assembleias Gerais para implementar este projecto, deixo mais algumas reflexões.

O futebol leonino é do Clube. Qualquer medida tomada que contribua para o fortalecimento da posição do Sporting Clube de Portugal nas suas empresas dependentes será, à partida, uma boa medida. Ao existir, o universo empresarial Sporting deve ser o mais eficiente e sustentável possível, de forma a poder contribuir para engrandecer o Clube e para defender apenas os seus, do Clube, interesses.

Não há nada que garanta que o tipo de aposta forte e imediata que foi feita nesta época tenha resultados imediatos ou duradouros. Mais do que a estruturação da estrutura empresarial do Universo Sporting, preocupa-me a política de gestão e investimento a que a SAD e o Clube estão a ser sujeitos. Tudo parece uma preparação de negócio tendo como base a SAD, o futebol do Sporting, muito provavelmente através de uma posição maioritária. Com a aplicação deste projecto, a SAD deglutirá o pouco que resta de valioso no Sporting Clube de Portugal, deixando-o sem garantias de que o caminho esteja a ser inflectido para uma lógica de exploração que o defenda e sem mais activos que o possam proteger no futuro – para além da posição na SAD.

E enquanto as mentes mais levianas se distraem…

é aprovado o projecto de fusão entre a Sporting SAD e a Sporting Património & Marketing. Esta empresa era a responsável e titular do Estádio José Alvalade, parte fulcral no empreendimento Alvalade XXI, e maior parte do restante património ainda pertencente ao Universo Sporting. Com esta aparentemente inócua manobra de alta finança, a Sporting SAD torna-se assim a única detentora de todos activos e infra-estruturas do futebol do Sporting Clube de Portugal.

O grande objectivo desta manobra terá sido a manutenção da “maioria do capital social [do Sporting Clube de Portugal] na Sporting SAD, mesmo depois da conversão das VMOC em capital da SAD”. No entanto, tem também o efeito de dispor num bonito pacote todo o futebol leonino – plantel, infra-estruturas, receitas e passivo. Pronto para ser arrebanhado pela melhor oferta. E o clube – e os seus sócios – a ver os seus activos a serem trespassados.

Entre o céu de Matias e o inferno de Paixão

Na última quinta-feira o Sporting conseguiu ultrapassar o Manchester City no seu próprio estádio, depois de sessenta minutos de grande entrega e qualidade seguidos de quarenta de demasiado sofrimento e a suficiente sorte. Enquanto durou, Matías conseguiu o que muito poucos terão conseguido esta época: inspirar a sua equipa para vencer no City of Manchester Stadium. Quando rebentou, a equipa ressentiu-se e as alterações feitas por Sá Pinto – embora ajustadas e bem temporizadas – não foram suficientes para ancorar um resultado que poderia ter sido histórico.

Entretanto, acabou há momentos mais um jogo para consumo interno marcado pelo de sempre: algum desacerto e falta de ambição na maior parte do encontro do lado dos jogadores do Sporting, um árbitro com tendências mais que confirmadas de protagonista principal, e um adversário motivado e muito pressionante a jogar no erro. Mais uma derrota averbada nesta época, perigando o quarto lugar – que tinha sido revisto em baixa como objectivo mínimo para o campeonato nacional.

Notaram-se alguns problemas de preparação física, articulação entre sectores, e finalização e construção de jogadas perigosas. De fora, parece que a capacidade de motivar os jogadores (quase os mesmos que eliminaram uma das mais fortes equipas europeias na respectiva casa) para disputar e vencer um jogo de campeonato contra o agora 12º classificado não consegue ultrapassar as suas próprias limitações físicas e o enviesamento tradicional dos relvados deste país.

Já sabemos que, para vencer, temos de ser muito mais capazes que os outros. Falta conseguir transmitir essa informação – eliminar o Manchester City até parece fácil quando comparado com a podridão e incompetência que grasam no futebol português.

Vitória através da superação

Não há nada mais Sportinguista do que ultrapassar limitações e derrubar barreiras para vencer. Sofrer para conseguir.

Ricky van Wolfswinkel, Matías Fernandez, Marat Izmailov, Jeffrén Suárez. Ricardo Sá Pinto. Todos com algo a provar a si próprios e aos restantes – ontem, todos bem sucedidos. A equipa amadurece e aprimora processos, sem que se note a pressão que tem para não falhar. O treinador lançado às feras tem vindo a implementar e a evoluir as suas ideias e a encontrar o seu espaço no leão que traz ao peito. Um povo que, apesar de lhe ser vendida a ideia de que já nada tem a alcançar, se une para apoiar os seus representantes.

Um leão que lambe as suas feridas e avança sobre a sua presa. Continua na próxima quinta-feira.

Semana meio cheia

Há momentos e jogos que deviam ser iconificados e usados para demonstrar a real profundidade de ser Sporting. Quinta-feira aconteceu um desses momentos, desde o apito inicial até ao envio de um email de agradecimento por parte dos capitães pelo apoio demonstrado. É com estes exemplos que o Sporting se deve regenerar, a si próprio e à relação que escolhe manter com os Sportinguistas. Porque, tal como diz Leão de Alvalade, o Sporting fez-se grande pelos que acreditaram sempre.

Não com outro tipo de casos, como por exemplo a ginástica de bilhética que foi sendo feita ao longo da semana – o acompanhante de sócio ora pagava o preço de sócio, ora tinha o bilhete de borla. Mas, como diz o título, há que ver e valorizar os aspectos positivos para que os negativos sejam tendencialmente eliminados.

No jogo todos se superaram – até Ricky, que apesar de não ter marcado foi essencial na primeira linha de pressão sob o portador da bola – mas para mim aquele que brilhou como exemplo mais forte da reconversão foi Daniel Carriço. Raça, entrega, dedicação, num exemplo de superação tão Sportinguista quanto merecida. Seguido de perto por Izmailov, cuja evolução demonstra uma capacidade técnica e de sofrimento ímpares. Matias merecia ter feito aquele golo de longe e Carrillo também, pela demonstração técnica que deu a Nasri já nos momentos finais.

Que a estrutura directiva e equipa técnica tenham a capacidade de fazer perdurar este espírito e esta vontade de triunfar tanto no jogo de amanhã, frente ao Vitória de Guimarães, como na quinta-feira, em Manchester para o fecho dos oitavos-de-final, como para todas as restantes finais que ainda nos esperam esta época.

No Futsal, o Sporting foi eliminado da Taça de Portugal em mais uma demonstração do que o desporto nacional escolhe como base de sobrevivência: subserviência à pressão e aquisição arrogante de desempenho desportivo a qualquer preço contra a abnegação, a entrega e o valor adquirido pelo esforço. O campeonato continua hoje, às 18h30 no pavilhão Paz e Amizade, contra o Loures.

Começa hoje a fase final do campeonato Andebol 1, com o Sporting a partir a 4 pontos da liderança. Sem espaço para errar para o objectivo do título, a equipa precisa de todo o apoio possível no jogo de hoje, às 16h00 contra o Águas Santas no pavilhão do Casal Vistoso, e em todos os jogos que ainda faltam.

Ao longo da semana foram várias as notícias lançadas na temática do património, tanto futebolístico como para as restantes modalidades. As notas mais importantes são: a reconversão do relvado irá ser feita gradualmente, com a introdução de uma variedade de relva mais adequada para o clima local; o fecho do fosso será feito inicialmente nos topos, com espaços publicitários, e depois sob as centrais com um plano de bancada que dependerá da adesão dos sócios – e, digo eu, da visibilidade que retirará às filas que lhe serão anteriores. Nas modalidades, prepara-se o regresso do basquetebol e do râguebi; antecipa-se a re-estruturação do projecto do pavilhão sujeito ao Plano de Pormenor por aprovar na Assembleia Municial para uma abordagem mais integradora de várias modalidades, tendo sido contactados responsáveis de várias modalidades para colaborarem nesse processo. Esta questão do pavilhão parece-me bastante sensível; resta saber se não se tratará de mais um caso de desistir do passáro que quase canta na mão, para perseguir os outros dois que seguem em voo…

Simplificação de um falhanço

Este jogo foi uma ode à arte de manietar os desportivamente inseguros. Em condições normais, com arbitragens normais, contra uma equipa normal interessada normalmente em jogar à bola, teríamos disputado o jogo com mais alguma capacidade. Poderia acrescentar uns comentadores normais, preocupados com o espectáculo, mas nem vale a pena nem tem efectivamente influência no que se passa no relvado – apenas no que os largos milhares de Sportinguistas retêm do jogo. Neste cenário idílico (porquê?) poderíamos não ter ganho, mas se não ganhássemos seria apenas por não termos conseguido ser superiores aos outros. Desportivamente.

Assim não. Basta malhar com força, apontar as bandeiras para os lados certos e poupar nos cartões que a insegurança e a falta de capacidade mental de pôr a bola dentro da baliza fazem o resto.
Eles já sabem o que fazer para nos manter num estado de tumulto constante, de falhanço previsível. E nem com o nosso crónico inconformado com a braçadeira de treinador temos conseguido furar o esquema.

Nem eles estavam à espera que fosse tão fácil.

Concentração e pragmatismo

O resultado do jogo inaugural da jornada ditou um distanciamento de 14 e 11 pontos aos dois primeiros classificados. Não foi o melhor resultado para as contas do Sporting, mas terá de servir. Para mais informações sobre esse jogo, vide este excelente, se bem que extenso, testemunho de outro leão.

Outros resultados do jogo não deixam de ter a sua relevância: as reacções fortíssimas de vários elementos do anterior primeiro classificado contra a arbitragem não podem não ter consequências. Basta lembrar que, apenas um dia antes, os árbitros propagandearam o seu acto de insubordinação numa clara tomada de posição contra o Sporting, pedindo que a FPF “actue contra aqueles que reiteradamente põem em causa a honorabilidade e integridade dos árbitros portugueses”. Mais claro e docemente autofágico que isto não seria possível.

Cabe aos dirigentes do Sporting serem inteligentes e não comprarem explicitamente parte numa batalha que não é a deles. Os chefes manipuladores disputam a sua importância “negocial” e se as reacções do lado do Sporting forem demasiado audíveis seremos facilmente colados a um dos lados do feudo. É importante haver uma indicação da diferença de tratamento, mas é mais importante ainda contribuir para que o futebol do Sporting cresça. Por muito satisfatório que fosse pedinchar por igualdade de tratamento (que como é previsível não será verificada), será tão mais importante concentrar esforços e diligências no sentido de melhorar na nossa real causa, os nossos próprios desempenhos e resultados tanto desportivos como económicos.

O presente distanciamento pode e deve ser encurtado para 11 e 8 pontos com a vitória desejada no Estádio do Bonfim, contra a equipa treinada pelo grande inventor do conceito de automobilismo de pesados no futebol. É nisso que nos temos que concentrar.

Há que encontrar formas de motivar e re-aproximar os Sportinguistas, de aumentar capacidade mediática e negocial do Sporting, de criar valor através dos desportos praticados no Sporting. As assistências têm que ser melhoradas, mesmo em tempos de crise económica e de resultados. Com casas cheias, mesmo que a custo na bilheteira, virão melhores resultados de patrocínios e vendas merchandising. Use-se como exemplo jogo contra o Beira-Mar, dedicado à família -quanto valerá aquela injecção de Sportinguismo em tantas crianças e famílias? Só assim será possível aumentar receitas de exploração de uma forma que não comprometa as naturais expectativas de médio e longo prazo de valorização de activos.

As modalidades também têm o seu papel na potenciação de veículos de fervor Sportinguista, nas literais palavras do Capitão João Benedito (hoje, no Pavilhão da Paz e Amizade em Loures, às 16h). Relembro também o derby de Andebol, amanhã às 17h no Pavilhão da Caixa Geral no Alto-dos-Moinhos, com transmissão na RTP2.

Devem ser criados e fortalecidos os canais de Sportinguismo, oficiais e oficiosos, sendo disso um esperançoso exemplo o trabalho que tem sido desenvolvido no canal oficial do Sporting Clube de Portugal no YouTube. Compreende-se que não estejamos em condições de avançar com um projecto televisivo de grande escala, até porque provavelmente seria só mais uma miríade de actos de gestão discutíveis que teriam como principal móbil o enriquecimento alheio à custa do fervor leonino. Mas o valor de peças como a da recente viagem à Polónia é inestimável e deve ser potenciado.

Os dirigentes do Sporting têm que se capacitar que não podem contar com o apoio dos meios de comunicação social para fortalecer o mundo leonino, e que têm pouco a ganhar em entrar declaradamente numa batalha suja pelo poder nos bastidores, gabinetes e túneis. Fortaleçam o clube de dentro para fora e defendam-no de agressões. Não se percam em afrontas ou lutas por poder num sistema que está em clara convulsão.