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Chega o solistício

O Inverno atinge na próxima madrugada o seu momento astronomicamente mais pronunciado.

Para o futebol do Sporting, este início de Inverno tem sido algo tortuoso, sem no entanto comprometer quaisquer objectivos. Depois de jogos algo desinspirados contra o Nacional e a Académica para a Liga e contra a Lazio para a Liga Europa, a equipa tem amanhã o seu último jogo do ano. Antes do início dos jogos para a Taça da Liga e da continuação do troço mais complicado do calendário da Liga, joga-se amanhã com o Marítimo, em casa, o acesso às meias-finais da Taça de Portugal, a segunda competição mais importante do futebol nacional.

Com o jogo de amanhã definir-se-á a abordagem ao mercado e à restante época. Com uma vitória reforçamos o momento anímico do plantel e dos adeptos, ficando com caminho aberto para a final da Taça (uma vez que as meias-finais se disputam em duas mãos, o que privilegia as equipas mais fortes) e bastante mais próximos da conquista de um título nesta época-zero do novo projecto desportivo e institucional do Clube.

Logo no arranque do próximo ano teremos um jogo algo decisivo para a luta pelo título de Campeão Nacional que, juntamente com o jogo de amanhã, ajudará a definir quais as ambições ao alcance desta equipa que, apesar de recém-nascida, tem conseguido motivar e reacender as esperanças leoninas mais profundas, apesar de todas as limitações impostas ao plantel e ao futebol leonino.

Se tudo correr bem, espera-se um plantel rejuvenescido para a segunda parte da época. Tanto pelas recuperações (de preferência definitivas) dos nossos atletas tecnicamente mais dotados como por uma ou outra aquisição tendo em vista o reequilíbrio da equipa, em particular no centro da defesa. Desse ponto de vista, a equipa tem sido magistralmente dirigida e protegida na comunicação social pelos seus representantes. As declarações de Luís Duque, Eduardo Barroso, Pedro Sousa e Domingos Paciência têm contribuído, cada uma à sua maneira, para encaminhar a gestão desportiva e de comunicação do Clube para novos caminhos. Caminhos de respeito, por si próprio e exigindo-o aos outros, de responsabilidade e de sensatez no mercado e na gestão do plantel. Uma óptima evolução em relação aos anos anteriores, em particular tendo em conta o processo eleitoral que iniciou este ciclo.

No futsal, os desempenhos e as características da calendarização e competições em que estamos envolvidos têm permitido um momento tranquilo, esperando-se que o plantel consiga ser recuperado na medida do possível com alguns complementos adquiridos no mercado de Inverno, para as etapas mais decisivas da época.

Por outro lado, no andebol, os resultados têm sido fortemente afectados por faltas de consistência defensiva e acutilância ofensiva (e, como sempre, influência “arbitrária”) que o plantel não justifica nem merece. Para além de tudo isto, as assistências verificadas no pavilhão de Casal Vistoso estão longe do desejável para uma modalidade com o historial e importância do andebol do Sporting Clube de Portugal. Que um ano novo traga mais sucesso também nesta modalidade!

Inverno rigoroso

O Sporting segue na Taça de Portugal, perfilando-se para os quartos-de-final em que vai defrontar o Marítimo, no José Alvalade no próximo dia 21, três dias depois de defrontar a Académica em Coimbra e sete dias depois de defrontar a Lazio em Roma, para a Liga Europa. Na Liga Portuguesa esperam-nos dois meses complicados, em que se seguirão o Nacional (já amanhã com uma casa que se espera lotada), a referida ida a Coimbra, a recepção ao clube da diocese das Antas, as visitas a Braga e Olhão e finalmente a recepção ao Beira-Mar.

A convocatória para o jogo de amanhã foi preenchida com a totalidade dos jogadores disponíveis para jogo, o que demonstra a pouca profundidade do plantel neste momento. Não obstante, trata-se de um momento fulcral para a manutenção das aspirações que a equipa leonina tem feito por merecer. Mesmo que manifestamente afectada por lesões, a equipa do Sporting não tem porque temer o conjunto madeirense desde que consiga fazer um jogo inteligente, com boa gestão de posse de bola e acutilância ofensiva, contribuindo para tal a presença e apoio de quase 50 000 leões de verde e branco.

No contexto global da época é particularmente importante chegar a Janeiro com um registo o mais vitorioso possível, em que só o jogo em Roma tem apenas o prestígio em jogo. Não só porque a reabertura do mercado de transacções poderá permitir equilibrar tecnicamente o plantel e protegê-lo da influência das indisponibilidades ocasionais; também pela recuperação de maior parte dos atletas presentemente lesionados, em que apenas para Rinaudo se prevê um período de recuperação que chegue ao mês de Fevereiro.

Após o derradeiro jogo da fase de grupos da Liga Europa, o Sporting irá enfrentar aquela que será a fase eliminatória mais exigente da história da competição europeia, com início a 18 de Fevereiro. Graças ao seu desempenho no grupo, o Sporting conseguirá em princípio evitar um sorteio muito desfavorável, mas não se livrará de uma oposição, qualquer que ela seja, motivada pela acrescida mediatização e importância que a prova terá este ano.

Especulações mobiliárias (das quais a ascenção meteórica de Pedro Mendes parece ser um exemplo) e mediáticas (aqui existem demasiados exemplos de um jogo de poder que se continua a fazer sentir nos meios de comunicação) à parte, esperam-se dois meses de navegação particularmente delicada para o Sporting.

Uma nota ainda para o Derby de Futsal de amanhã no pavilhão do Alto-dos-Moinhos, às 17h00, com transmissão em directo na RTP2. Não se antecipa um jogo fácil.. no entanto espero que a arrogância e sobranceria encarnada seja, tal como tem sido nos últimos confrontos, subjugada pela garra e querer leoninos.

A realidade acima da virtualidade

Amanhã joga-se no Estádio José Alvalade o último oitavo de final da Taça de Portugal, opondo o visitante Belenenses ao Sporting Clube de Portugal. Joga-se a continuação na prova e o apuramento para o quarto de final contra o Marítimo, em casa da equipa vencedora do jogo de amanhã. Joga-se a oportunidade de abrir caminho na segunda competição futebolística mais importante do país.

Joga-se, acima de tudo, a maior dignidade do Sporting Clube de Portugal dentro do circuito dos clubes de futebol médios e grandes portugueses. Amanhã e, se tudo correr bem, nos restantes jogos da taça até à final, joga-se a oportunidade de fazer prevalecer a capacidade desportiva, a qualidade de jogo e de jogadores (e já agora, de adeptos) sobre a especulação, os jogos de influências e pressões, e as campanhas de  branqueamento mediático. Essas têm sido as grandes armas de hegemonização do sistema clubístico vigente, fora do relvado e muitas vezes apesar de menores capacidades técnicas e desportivas.

Com uma vitória amanhã, o Sporting conseguirá reforça mais um pouco o seu papel de “simples” clube desportivo – vencendo apenas através do seu desempenho dentro do campo de jogo, demonstra a sua superioridade moral como instituição e desportiva como equipa de futebol, provando que consegue e que perdurará a vencer.

Os doze trabalhos do leão

Dentro de campo, o plantel encontra-se cada vez mais limitado – hoje serão três juniores, João Mário, Filipe Chaby e João Carlos – que terão a oportunidade de subir ao relvado do José Alvalade, por lesões de Matias, ainda no derby, e Carrillo, que saiu lesionado de um dos treinos da semana. O que se passa com a preparação física e incidência de lesões no Sporting? Existirá alguma causa comum a todos estes casos ou será simplesmente mais um entrave que misteriosamente só nos acontece a nós?

Ainda assim, nada muda a premissa geral e o objectivo principal do jogo de hoje, contra o Zurique: é a nossa segunda hipótese de resguardar o primeiro lugar do grupo, desta vez em casa, evitando que a decisão se faça no jogo em Roma contra uma Lazio motivada e em grande forma. Nada menos que a vitória serve ao leão,  para que se consiga evitar um desgaste físico e motivacional ainda maior de um plantel que encurta de dia para dia e que se prepara para dois meses de jogos decisivos, entre eliminatórias de taças e tira-teimas no campeonato contra equipas complicadas.

Fora de campo e ainda no rescaldo dos incidentes em Carnide, tudo se tem alinhado para aplicar ao Sporting uma pena pesada e exemplar. Apenas me choca que este castigo esteja a ser cozinhado em lume branco até que terminem os oitavos de final, podendo nessa altura ou ser precipitado para encaixar magicamente na antecipação do derby nos quartos de final ou deixado por resolver para depois das eleições da FPF, caso uma das equipas não alcance a eliminatória seguinte. Já se tinha dito que um vintém é um vintém, e um cretino é um cretino. Eu acrescento: um castigo é um castigo, e não pode ser uma arma de arremesso politico-clubístico estratégico.

Ainda fora de campo, foram apresentados os resultados da Sporting SAD do primeiro Trimestre da época 2011/2012. Superficialmente, tudo parece estar de acordo com o caminho escolhido para revitalizar desportivamente o futebol Sportinguista. Para conseguir obter os serviços de valores seguros, como Wolfswinkel e Elias, a Sporting SAD viu-se na obrigação de partilhar custos com fundos de investimento. Como contrapartida, estes fundos terão regateado por fatias significativas dos passes de maior parte dos nossos jogadores de maior potencial e de baixo custo de obtenção.

Directamente via transferências, onde salta a vista a situação de Carrillo, que podia ter sido perfeitamente custeado apenas pela SAD, mas que terá sido partilhado de forma a recompensar os investidores pelo apoio nas compras de maior peso, ou pela formação, onde jovens desenvolvidos na Academia Sporting terão sido misteriosamente avaliados e usados como moeda de troca, permitindo um refinanciamento da tesouraria da SAD.

Todas estas movimentações tiveram como objectivo dotar a equipa de futebol de mais e melhor qualidade do que se tinha visto nos últimos anos, mas a um preço: neste momento, a capacidade que a SAD tem para realizar mais-valias de forma a re-equilibrar as suas contas no médio prazo virtualmente não existe, independentemente do nível de sucesso desportivo alcançado. Depois de criticar violentamente o funcionamento e papel que os fundos de investimento têm na construção de equipas de futebol, o Presidente e sua equipa de gestão desportiva escolheram o mesmo caminho, por ser claramente o mais viável na conjuntura actual, mas num formato que defende mal os interesses e objectivos da SAD e do Clube, onde aquela tem de desempenhar o papel de ganha-pão, de “mola real”.

O equilíbrio negocial da presença de fundos no financiamento do plantel aparenta ter sido bastante mais pesado do lado dos investidores. Como foi possível negociar passes de jovens de formação, virtualmente sem custos de obtenção, sob a premissa de diluição de risco de investimento e com base em avaliações misteriosas? Qual o sentido de permitir a entrada em participações de passes de jogadores de custo baixo (e portanto, sem necessidade de apoio na contratação) e valorização quase certa, como são os casos de Carrillo, Rinaudo ou Rubio? Não existiria uma forma de melhor defender os interesses do Sporting Clube de Portugal?