Mais um passo para o futuro
O Sporting do consulado Sá Pinto continua a obter resultados positivos, com exibições em crescendo suportadas numa grande capacidade de sacrifício e entrega, à imagem do jogador que o treinador foi. A espaços, temos tido direito a futebol de qualidade com evolução apoiada no terreno. No momento defensivo, só ocasionalmente se têm sentido as limitações impostas quer pela disponibilidade física e clínica dos jogadores, quer pelas características individuais dos jogadores usados. No ataque, ainda só temos conseguido obter golos através alguns momentos de mais esclarecimento individual.
Mas Sá Pinto sabe – e os apoiantes Sportinguistas também têm que saber – que com mais tempo de treino outras dinâmicas e competências serão potenciadas. Foram quatro jogos em doze dias, com um saldo claramente positivo – o único resultado menos bom fez parte de uma eliminatória vencida frente ao Legia. Próximos embates: Vitórias de Setúbal (dia 3) e Guimarães (dia 11 de Março), entremeado pelos jogos com o Manchester City – em casa dia 8 e fora dia 15.
Na figura que ilustra o artigo, dois dos jogadores que para mim tiveram nota mais alta, assim como Elias, omnipresente, e Boeck, imperial. Carriço pela capacidade de entrega e pressão, Izmailov pela imprevisibilidade e obra-prima que marca o resultado final.
Uma palavra ainda para os ditos grupos organizados de apoio do Sporting Clube de Portugal, em particular a Juventude Leonina. Depreendo do conceito “grupo organizado de apoio” que se tratem de um conjunto de pessoas com estrutura própria e com um objectivo bem definido: apoiar. Compreendo que haja antipatias que facilitem a mobilização dos restantes apoiantes se capitalizadas no momento certo.
No entanto, o momento certo NÃO É um jogo de início de ciclo, técnica e fisicamente exigente, em que nada se joga que esteja relacionado com quaisquer alvos de antipatias. Esse triste momento de “apoio” foi respondido com boas intenções por muitos dos restantes espectadores, com vaias e assobios direccionados às claques. O problema é que esta resposta contribuiu, tal como o cansaço físico, para despoletou fragilidades anímicas na equipa que podiam ter resultado no empate – seria um literal autogolo da Juventude Leonina. Talvez fosse bom que esse grupo organizado de apoio, e os restantes que participaram, repensassem a sua atitude e o papel que desenrolam no universo Sporting.
Posted on 26 Fevereiro, 2012, in Época 2011/2012, Futebol, Reflexivo, Sporting. Bookmark the permalink. 5 Comentários.


Reflexivo mais um conjunto de tiros ao centro do alvo. Vou repetir-me, caso permita: muito agradecido pelas coisas que diz. No post, tratou-se do quê, assobios? Manifestações de desagrado alvando alguém em particular? Estiveram segundo li 25.000 no estádio, nada mau ainda que o jogo tenha acontecido às 18:00. Sobre os reparos que faz ao jogo de qualidade (a espaços) da equipa são nuances que muito saudamos – quem estiver interessado em que o Sporting jogue melhor, e estamos em boas condições de enfim … fazer o melhor possível até ao Jamor? Muita pena que as indicações de Domingos não se tivessem concretizado e o futebol da equipa fosse tão mediano. A ver vamos o que acontecerá na próxima porque esta reuniu muitas condições para que tivesse sido / fosse boa. Passado, nada a fazer quanto a isso.
Não pude ver o jogo, somente partes dele. Na 2ª parte gostei do Xandão, e a jogada do golo do Izmailov na 1ª foi qualquer coisa de muito bonito. Um abraço grande, e subscrevo na íntegra os pontos de interrogação que coloca na questão dos grupos organizados de apoio. O Sporting é um clube popular com muitos adeptos; não precisa nem deve descriminar o tratamento que lhes oferece. Está nas mãos do clube encontrar formas de melhorar a sua relação com eles, caso entenda que devem esses grupos existir nos moldes em que existem.
Tudo começou com cânticos anti-benfiquistas na Juve Leo, que rapidamente foram tomados também pelo menos pelo Directivo XXI. Deu-se uma reacção reprovadora um pouco por todo o restante estádio.
Neste “diálogo pluralista” das bancadas passaram-se seguramente cinco minutos, que curiosamente coincidiram com a queda mais abrupta da equipa, a culminar com uma jogada perigosa pela esquerda atacante do Rio Ave.
Neste momento, os protestos aos cânticos acalmaram e os cânticos perduraram ainda uns minutos até morrerem por falta de oposição.
Quase que pareceu que as claques e os assobiadores estavam a degladiar-se sobre o jogo em que a equipa leonina se ressentia da luta.
Concordo consigo – qualquer altura é uma boa altura para pensar na melhor forma de apoiar o Sporting; esta podia ser uma óptima altura (como terá sido o incêndio na Luz) para castigar egos e complexos e devolver o leão ao ponto focal das bancadas. Mas temo que nada disso se venha a passar…
Abraço!
Reflexivo,
Vi anteontem salvo erro um vídeo amador gravado por um membro de uma das claques do FCP no jogo frente ao Man. City, no Dragão. O vídeo estava acho que no … SAPO, ou n’A Bola, agora não sei bem. Ver aquelas imagens tristes imagens – que confirmam os abusos racistas de que pelo menos um jogador do City foi alvo – recordou-me um outro vídeo profundamente imbecil de uma das claques do Sportng – não sei qual – num jantar qualquer a cantar uma música que parodiava um dos nossos rivais. Qual foi a parte imbecil? Sem exagero … aquilo demorou alguns 7 minutos. Uma coisa surreal.
Os modos são os mesmos, uns e outros. Esse que vi anteontem, e o nosso. Os mesmos modos, caras, jeitos; que tem aquilo (no nosso) a ver com o Sporting ou manifestações de apoio ao Sporting? Nada.
Você quer ver o Sporting: vai. Não precisa de ir em grupo nem sentir-se escudado por um sentimento de pertença a um grupo. Não insulta ninguém nem se sente impelido a isso (todos chamamos nomes a quase todos, mas fazemo-lo pensando não é mesmo? Não existe vontade de exteriorizar, gritar o insulto, incomodar os outros, ofender). Esses grupos no entanto gozam de lugares reservados no estádio, gozam de liberdade para desenvolver rituais ou levar para dentro do recinto ou objectos como microfones e bandeiras, gozam de instalações dentro do perímetro do estádio, e gozam da condescendência por parte do Sporting e até de autoridades quando vão de viagem escoltados e destroem bombas de gasolina ou (novamente) incomodam pessoas que por ali andem, roubam, etc etc etc.
Não é preciso recuar muito: há 2 anos quando andaram à pedrada na rua (na rua, extraordinário) nas imediações do estádio com adeptos do Atlético. Houve consequências? Alguém foi punido? De certeza que não. O Reflexivo se andasse por ali e levasse uma pedrada queixar-se-ia a quem? Possivelmente ninguém e se o fizesse nada aconteceria. Ao contrário estando o Reflexivo por ali em dia de jogo ou noutro qualquer caso faça alguma coisinha com que algum funcionário do Sporting se lembre de marrar, fazem-no sem qualquer peso na consciência.
Estádios de futebol não são manifestações de rua onde participem 200 000 pessoas. São recintos fechados onde só entra quem o clube deixar. É assim tão simples, e é dever do clube garantir que 90% dos espectadores não são afectados pelos comportamentos recorrentes de 10%. E o argumento do apoio prestado nos jogos fora-de-casa não serve porque de novo: quem quiser ir ver o Sporting seja lá onde for, vai. Não precisa de ser mimado para ir nem precisa de usar esse apoio como moeda de troca para outras coisas.
Reflexivo, há 3 anos:
Com a panóplia de câmeras que existem no estádio e permitem identificar individualmente todo e qualquer espectador: seria difícil ver quem faz aquilo? Não por fazer aquilo, mas porque são os mesmos que fazem tudo o resto …
“todos chamamos nomes a quase todos, mas fazemo-lo pensando não é mesmo? Não existe vontade de exteriorizar, gritar o insulto, incomodar os outros, ofender”
Acho que a chave está nesta afirmação. Com alguns ajustes, porque a exasperação é uma reacção humana que não pode ser removida do fenómeno, não é possível removê-la. A exteriorização ocasional e inocente faz parte do futebol.
O que não pode acontecer nem pode ser aceite sem responsabilização são ataques constantes e até concertados (Rui Patrício como tão bem exemplifica, mas também Yannick, Pereirinha, Carriço, Pereirinha, …)